Ato na PUC defende Dilma e critica uso de religião na campanha

Religiosos criticam o estímulo ao debate sobre aborto e união civil homossexual durante a campanha

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

A crítica ao uso do discurso religioso na disputa presidencial marcou o ato de apoio de juristas e intelectuais à presidenciável Dilma Rousseff (PT) ontem em São Paulo, no teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca). Os líderes religiosos padre Júlio Lancellotti e Frei Beto - ex-assessor da Presidência da República - empolgaram a plateia, composta por estudantes e políticos, ao repreender segmentos da Igreja Católica e o adversário da petista, José Serra (PSDB), por estimularem debate sobre o aborto e união civil homossexual na campanha.

A senadora eleita Marta Suplicy (PT), sexóloga, afirmou que a campanha transformou o Brasil num "país de aiatolás". Já o candidato petista derrotado ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, acusou Serra de estar em torno "de resquícios da monarquia, do integralismo, e da juventude nazista".

"A igreja não tem tutela da consciência do povo. O povo deve ter liberdade de consciência. A igreja deve estar onde o povo está e a missão da igreja é lavar os pés dos pobres e não dominar a consciência política deles", afirmou padre Júlio. Ele disse que Serra "é o pai do higienismo em São Paulo, uma pessoa que não tem visão de que quem está rua também é cidadão".

Frei Beto lamentou o fato de "aborto e religião" terem sido temas de destaque na campanha. "Lei de aborto não impede o aborto. O que impede aborto é política social, é salário, é o Bolsa-Família, é distribuição de renda." Afirmou que "bispos panfletários não falam em nome da igreja nem em nome da CNBB". "É opinião pessoal, só que é injuriosa, mentirosa e difamatória."

Dilma gravou mensagem por vídeo, exibida ao final do evento. Ela foi representada pelo candidato a vice, Michel Temer (PMDB), que fez elogios a Lula para defender a eleição de Dilma. "O governo Lula fez a justiça social. Juntamos democracia política com justiça social, Dilma é a fusão dessas concepções e dessas ideias."

Dilma lembrou que o teatro da PUC foi palco da resistência na ditadura, fez um compromisso com o aprofundamento das políticas sociais e disse que o governo continuará sendo conduzido de forma republicana, " pela consolidação de direitos e liberdades de todos os brasileiros".

Juristas leram o manifesto de apoio à candidata. No texto, enfatizam que o "governo preservou as instituições democráticas". O ex-ministro Marcio Thomaz Bastos, também presente, discursou em favor de Dilma.

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