Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Ausente, Lula vira estrela de festa

Discursos creditam a ex-presidente obra no Rio

Alfredo Junqueira e Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2011 | 00h00

Com a plateia esvaziada tentando se proteger da chuva e do vento no alto do morro, a inauguração do teleférico do Complexo do Alemão, no início da tarde de ontem, teve como principal estrela um ausente: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A falta de Lula foi lamentada nos discursos da presidente Dilma Rousseff e do governador Sérgio Cabral (PMDB). Os dois creditaram ao ex-presidente a maior parte dos méritos pela realização das obras do novo sistema de transporte, apontado por Dilma como símbolo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

De volta à favela onde foi chamada pela primeira vez de "mãe do PAC" por Lula, em março de 2008, quando comandava a Casa Civil, Dilma iniciou seu discurso com uma referência emocionada ao antecessor.

"Todos sabemos que aqui falta uma pessoa, falta o Lula", declarou Dilma, arrancando aplausos do pequeno público. "Ele colocou não só recursos financeiros, mas carinho, amor, respeito e esperança de que este país possa ser diferente."

Dilma voltou a citar Lula ao exaltar investimentos em ações sociais, além de obras. "Não voltamos a investir só nas rodovias, ferrovias. O que o governo vem fazendo desde o presidente Lula é investimento nas pessoas."

Cabral contou que ligou para o ex-presidente na manhã de ontem, enquanto aguardava a chegada de Dilma na base aérea do Galeão. Segundo ele, Lula disse que assistiria à solenidade pela rede pública de TV NBR. "Um abraço ao presidente Lula que está assistindo à transmissão dessa inauguração. O senhor está no coração de todos nós", discursou Cabral. E elogiou Dilma. "A senhora, como o presidente Lula, acreditou em nós, acreditou neste projeto."

Somados os investimentos federais e estaduais, o teleférico custou R$ 210 milhões do total de R$ 725 milhões em investimentos no Alemão.

Durante a visita, a presidente passou por todas as seis estações e desceu na do Alemão, onde acenou para os moradores, e no Morro do Adeus, onde foi montado o palco para a solenidade de inauguração. O frio e a chuva, no entanto, afastaram os moradores. Muitas pessoas tinham expectativa de andar ontem mesmo em uma das 152 gôndolas, mas o teleférico só estará disponível para a população, em horários ainda reduzidos, a partir de hoje. "Estamos aqui para andar no teleférico e para ver a Dilma, se é bonita ou se é feia", brincou o vigia José Feliciano, de 34 anos, morador do Alemão há 15. Ele foi à inauguração com a mulher, a sogra e a filha recém-nascida.

O teleférico funcionará em sistema de "operação assistida". No primeiro mês, ficará disponível para a população durante duas horas pela manhã e duas horas à tarde. Os horários serão ampliados até a operação plena, que começa em novembro.

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