Avião da TAM estava voando com um freio aerodinâmico desativado

Reverso, que causou o acidente com o Fokker 100 da TAM em SP, em 1996, pode ter descontrolado Airbus

O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Quase 11 anos após o acidente com o Fokker 100 da TAM, o reverso pode estar de novo por trás de uma tragédia. Ganhou força a hipótese de que o mau funcionamento do equipamento interferiu na arremetida do Airbus A320, que na terça-feira se chocou com o prédio da TAM Express, matando ao menos 188 pessoas. Especialistas e militares ouvidos pelo Estado afirmam que uma eventual pane no reverso - sistema auxiliar de frenagem, que fica acoplado às turbinas - pode explicar a guinada do avião na pista principal do Aeroporto de Congonhas. A suspeita é de que o equipamento do lado direito não fechou, o que teria provocado arrasto maior da aeronave durante a tentativa de arremeter, fazendo-a pender para o lado esquerdo na cabeceira da pista. À noite, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou que um problema no reverso já tinha sido verificado pela TAM na última sexta-feira, mas o Airbus continuou voando. A empresa admitiu que detectou a falha, mas negou que isso tenha causado o acidente. O vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, havia dito na quarta-feira que o equipamento estava travado desde segunda-feira por um pino para evitar que abrisse sem ser acionado. Os manuais técnicos do fabricante recomendam a revisão do equipamento até dez dias após uma falha no equipamento ter sido detectada. Para técnicos da TAM, o problema no reverso não seria inicialmente um fator de impedimento para a continuidade das operações com o avião. ''''Os reversos não costumam ser usados num Airbus, que tem sistema digital de desaceleração'''', afirmou um comandante ouvido pelo Estado, com mais de 20 anos de experiência, e, atualmente, trabalhando na Gol. ''''É como o freio de mão de um carro. Você não usa, mas pode decidir a parada numa situação como aquela.'''' O reverso era o assunto da noite do acidente nos hotéis e restaurantes da Rua Baronesa de Bela Vista, paralela à Avenida Washington Luís, em frente ao aeroporto, onde comissários e pilotos criaram uma comunidade própria. Assustados, a maioria comentava sobre a pressão a qual são submetidos na Gol e na TAM. ''''Foi ''''pinado'''', sim, em Confins (MG)'''', declarou um co-piloto da TAM com menos de dez anos de experiência. ''''Mas não tem importância. É mais perigoso voar com o equipamento sem trava quando não está funcionando 100%. Vai que abre sem querer?'''', explicou. Outro comandante confirmou a história do reverso ''''pinado''''. ''''Eu soube disso, mas eu voaria. Não é algo tão preocupante assim'''', disse. ''''Acho as condições da pista uma coisa muito pior. Em pouco tempo, ela já está toda emborrachada. Daí você vai e fica mudando o ponto do pouso.'''' O quarto comandante ouvido não confirmou a história do reverso mas citou o ''''emborrachamento'''' da pista. Segundo ele, toda vez que o avião pousa, deixa borracha do pneu na pista. Nas parte onde há mais pousos, nas cabeceiras, essa borracha se mistura ao asfalto com o calor, deixando a superfície mais lisa. Os pilotos mais experientes procuram um ponto mais à frente ou atrás, onde há menos borracha.

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