Bancadas do PR na Câmara e no Senado se digladiam por poder

Com deputado Valdemar da Costa Neto ''queimado'', senadores tentam criar linha direta com Planalto e apresentar seus pleitos

Christiane Samarco e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2011 | 00h00

A derrubada da cúpula do Ministério dos Transportes dividiu o PR e abriu uma disputa de poder entre as bancadas do partido na Câmara e no Senado. Deputados e senadores da legenda se enfrentam em uma corrida nos bastidores para ver quem vai levar a interlocução direta e preferencial com a presidente Dilma Rousseff e, a partir daí, ganhar cacife para negociar os cargos onde houver despejo dos atuais apadrinhados no Ministério dos Transportes.

Como o Palácio do Planalto quer distância do secretário-geral do partido, deputado Valdemar Costa Neto (SP), os senadores aproveitam para criar uma linha direta com a Presidência e apresentar seus pleitos. Ao mesmo tempo, os deputados se movimentam e entendem que saíram na frente.

Depois de reunião com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (PR-MG), anunciou que falam oficialmente pela legenda ele e o deputado Luciano Castro (PR-RR), um dos vice-líderes do governo na Câmara.

Ao mesmo tempo, os senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Clésio Andrade (PR-MG) também já bateram à porta do Planalto e até se acertaram no que se refere ao comando do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Estratégia. Diante do fato consumado de a presidente Dilma ter transformado em titular dos Transportes o ministro interino Paulo Sérgio Passos, Lincoln Portela e Luciano Castro decidiram dar respaldo partidário a ele, adotando-o como o ministro da sigla.

Disseram que estavam ali apenas para apoiá-lo, e não para fazer indicações políticas para os postos onde houver troca de comando. Foi com esse mesmo discurso que a dupla se apresentou a Ideli, mas ambos têm a expectativa de que serão ouvidos "no momento adequado" por Dilma.

Já a conversa de Blairo Maggi com Passos foi em outro tom. Assustado com a repercussão negativa das acusações de corrupção que envolveram seu apadrinhado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, o senador levou dois recados.

Disse que não indicará nem endossará nenhum nome para o Dnit, caso sua "solicitação" de manter o atual diretor não seja atendida e emendou com um conselho para tirar de cena os deputados. "Procure ficar longe do partido. Ponha o PR no purgatório, porque o PR merece estar no purgatório", recomendou.

Blairo sugeriu que ele aproveite o privilégio de não dever a indicação ao partido para ficar livre de influências na hora de preencher os cargos. "Aproveite e construa uma equipe sua, com menos influência possível do PR", afirmou.

Minas. Ao mesmo tempo, Clésio movimentava-se para emplacar um nome apoiado por parlamentares de Minas Gerais, com o discurso de que seu Estado é o que possui a maior malha rodoviária federal.

O primeiro nome sugerido foi o do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, do qual o Planalto não quer abrir mão. Por isso mesmo, também figura na lista de mineiros o deputado Jaime Martins (PR-MG).

Clésio disse que defendia um nome de Minas também com a autoridade de quem preside a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mas sua movimentação provocou desconforto na bancada. "Ele pode fazer isso como uma sugestão pessoal, mas não como iniciativa oficial do partido", observou Lincoln Portela, sugerindo que o melhor caminho seria encaminhar os nomes à direção da legenda, e não diretamente ao governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.