Bases eleitorais de ministros receberam mais dinheiro federal

Bahia, Rio Grande do Sul e Campinas, no interior de São Paulo, estão entre privilegiados por órgãos no ano passado

, O Estado de S.Paulo

28 Março 2011 | 00h00

As transferências voluntárias feitas por ministérios no ano eleitoral de 2010 privilegiaram Estados, municípios e entidades ligados aos líderes das pastas.

Em 2009 e 2010, a Bahia recebeu, respectivamente, 48,3% e 50,5% dos recursos do programa Prevenção e Preparação para Desastres do Ministério da Integração Nacional, aponta a entidade Contas Abertas.

No Estado nasceu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), na pasta até março de 2010, quando se desincompatibilizou para disputar justamente o governo baiano. Na ocasião, foram liberados R$ 84 milhões para a Bahia, contra R$ 13 milhões enviados para Santa Catarina, segundo Estado que mais recebeu recursos.

Uma auditoria feita pelo TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que, entre 2008 e 2009, houve forte concentração de repasses do Ministério da Integração Nacional para cidades da Bahia, que ficaram com 65% dos R$ 175,3 milhões liberados para a prevenção a desastres gerida pelo ministério.

Em 2009, o Ministério da Justiça mandou para cidades do Rio Grande do Sul metade dos R$ 11,9 milhões aplicados em municípios pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. O responsável pela pasta era o ex-ministro Tarso Genro (PT), atual governador gaúcho.

Também em 2009, a cidade de Campinas, em São Paulo, foi a que mais recebeu recursos do Ministério do Esporte: R$ 10 milhões. O secretário de Esportes e Lazer da cidade era Gustavo Petta, cunhado de Orlando Silva, que seguiu ministro no governo Dilma. Também do PCdoB, Petta concorreu em 2010 a uma cadeira de deputado federal.

O Estado publicou uma série de matérias sobre repasses ao programa Segundo Tempo, também da pasta. São mostradas irregularidades na aplicação de quantias enviadas a entidades ligadas ao PCdoB.

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