Claudineia/Facebook
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Bebê atingido na barriga da mãe tem chance de andar

Criança, no entanto, ainda corre risco de morte; ele teve os dois pulmões perfurados pelo tiro

Lucas Gayoso, Mariana Durão e Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2017 | 21h29

RIO - Embora ainda corra risco de morte e atualmente esteja paraplégico, o bebê atingido por uma bala perdida dentro da barriga da mãe na última sexta-feira, 30, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense), pode conseguir andar normalmente caso se recupere. Essa é a avaliação do neurologista Eduardo França, diretor-geral do hospital onde a mãe está internada.

A gestante Claudinéia dos Santos Melo, de 29 anos, estava a caminho de um mercado nas imediações da favela do Lixão, em Duque de Caxias, quando foi atingida por um tiro. Grávida de 39 semanas, ela estava com o parto normal agendado para 13 de julho. Socorrida ao Hospital Municipal Moacyr Rodrigues do Carmo, foi submetida a uma cesariana de emergência. 

Arthur nasceu com os dois pulmões perfurados pelo tiro, que também causou uma hemorragia cerebral e fraturas nas vértebras T3 e T4, atingidas por estilhaços de ossos. Transferido para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, na mesma cidade, ele está internado na UTI neonatal. Arthur tem dreno nos pulmões e respira por aparelhos. "Não temos como medir a capacidade de evolução dessa criança no momento. Devemos agora manter o suporte à vida e aguardar. Quanto à paraplegia, é um quadro que pode até se reverter, caso não haja lesão medular", afirmou ontem o neurologista.

A mãe continua internada no hospital municipal para onde foi socorrida. Atingida por um tiro que fraturou o osso de sua bacia, está em tratamento não-cirúrgico. A bala continua alojada em sua bacia, mas ela se recupera bem. 

Claudinéia já sabe sobre o estado de saúde do filho, mas ainda não pode vê-lo. Ela e o pai, Klebson Cosme da Silva, estão recebendo assistência psicológica, segundo a prefeitura de Duque de Caxias. "Eu estava muito abatido nos último dias. Agora estou melhor, porque há uma expectativa de vida bem razoável. A medicação está indo bem, então estou me agarrando a essa esperança para suportar a dor", disse Klebson.

O caso é investigado pela 59º DP (Duque de Caixas), onde ontem prestaram depoimento o pai do bebê e os seis PMs que faziam ronda pela região em que Claudinéia estava. Segundo a delegada Raíssa Celles, depoimentos indicam que o tiro que atingiu a grávida foi disparado por traficantes, que naquele momento confrontavam os policiais. "Os PMs já haviam contado que, no momento em que deixaram a comunidade, foram atacados por tiros disparados pelos traficantes, e que não revidaram", afirmou ela à TV Globo. As armas dos seis PMs serão submetidas a perícia.

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