Bebê é seqüestrado por falsa enfermeira em hospital no ES

Mulher esteve no Hospital São João Batista, em Cariacica, por três vezes antes de conseguir levar criança

Clarissa Thomé, do Estadão,

20 Outubro 2007 | 16h33

Um bebê recém-nascido foi raptado na manhã deste sábado, 20, no Hospital Maternidade São João Batista, em Cariacica, no Espírito Santo. Jefferson, de 3 dias, foi retirado dos braços da mãe por uma falsa enfermeira. A polícia acredita que a criminosa não estava sozinha, já que não utilizou serviço de táxi. Ela deixou a maternidade, levando a criança numa sacola de papel de uma butique.   Joice Viviane Ferreira Martins, de 17 anos, contou que por volta das 7 horas a falsa enfermeira entrou em seu quarto, perguntou pelo sexo do bebê e disse que o levaria para o banho. Joice, que havia acabado de amamentar Jefferson, entregou o filho. Quinze minutos depois, a enfermeira verdadeira apareceu. Joice entrou em desespero.   Mulheres internadas em outros quartos contaram que também foram visitadas pela falsa enfermeira - descrita como uma mulher de cerca de 30 anos, pele parda, cabelos pretos, rosto e lábios arredondados, nariz achatado, com cerca de 70 quilos e aproximadamente 1,65 m de altura. "Ela entrou em várias enfermarias, perguntando pelo sexo das crianças. Isso nos leva a crer que ela estava escolhendo um bebê", afirmou o delegado André Luiz Landeira, da Delegacia de Cariacica, que investiga o crime.   A falsa enfermeira esteve por três vezes no hospital. Por volta da meia-noite, uma enfermeira desconfiou da mulher, que vestia-se de branco e usava jaleco, e a mandou embora do hospital. Por volta das 2 horas, um médico pediu sua identificação e ela voltou a deixar a instituição. Retornou às 7 horas, quando ocorre a troca de plantão e ela não seria reconhecida pela nova equipe.   "Tudo leva a crer que ela conhecia a rotina do hospital. Apresentou-se na recepção como estagiária, função que realmente existe na maternidade, embora nenhuma estivesse trabalhando hoje (sábado), sabia onde ficavam as enfermarias e o horário da troca de plantão", afirmou Landeira.   Joice e o marido, o servente Welson Santos Rodrigues, 22 anos, fizeram o retrato falado da criminosa nesta tarde. O delegado disse que ainda não é possível dizer se a mulher faz parte de alguma quadrilha especializada em adoção ilegal ou se queria o filho para si. O crime para rapto de incapaz prevê pena de 2 a 5 anos de prisão.   Dizendo-se abalado, o diretor do hospital, Paulo Jorge Mattos não quis dar entrevista ao Estado. "Agora cabe à polícia esclarecer o que aconteceu", disse ele, por telefone.

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