Beira-Mar nega ser mandante de assassinato de traficante

Criminoso disse em julgamento que não conhecia vítima e que acusação foi feita para promover político

Marcelo Auler, enviado de O Estado de S.Paulo, e João Naves,

10 Novembro 2009 | 12h07

Ao ser interrogado pelo juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, do 1.º Tribunal do Júri, Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, admitiu ser traficante, mas negou que tivesse qualquer motivo para determinar a morte de João Morel, brasileiro que morava na cidade paraguaia de Capitán Bado e que, segundo o traficante, vivia "mexendo com contrabando de café e de cigarro". Já os filhos de Morel, segundo Beira-Mar, "mexiam com coisa errada".

 

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Quando o juiz questionou se ele conhecia Morel, Beira-Mar disse que apenas conhecia de vista, por ter morado na mesma cidade, mas jamais teve amizade com ele. Garcete então trouxe à tona o fato de o senador Magno Malta, presidente da CPI do Narcotráfico, ter dito que soube que Beira-Mar hospedava-se no sítio de Morel. O traficante não se fez de rogado: "CPI hoje em dia não existe para investigar ninguém, mas para ser palco para os políticos".

 

Beira-Mar, que confessou ter ligações com o Comando Vermelho - mas negou ser líder da organização - frisou que jamais respondeu na Justiça por homicídio, apenas por condenações por tráfico. Segundo depoimento do traficante, na rebelião de Bangu 1, em 2002, ele informou ter ajudado a salvar vidas de agentes penitenciários e de um líder da facção adversária, do qual não citou nome.

 

Em seu depoimento, o traficante confessou que não tem interesse em voltar para o sistema penitenciário do Rio. Na avaliação de Beira-Mar, se estiver no Rio de Janeiro, levará a culpa "por tudo o que acontecer de ruim" no Estado. O interesse do traficante é o de voltar para uma penitenciária estadual. Beira-mar teria criticado o sistema federal penitenciário, e classificado a instituição como "uma fábrica de fazer loucos", acrescentando que "quem criou o sistema penitenciário federal é um psicopata".

 

Segundo Beira-Mar, a imprensa vive a inventar fatos sobre ele porque seu nome "vende muito jornal". Chegou mesmo a ironizar dizendo que qualquer dia o acusarão de ser pai de um filho da Luana Piovani. "É tão sem cabimento a denúncia contra mim que eles trazem como prova o que sai na mídia. A mídia publica, serve de prova. Então, um exemplo, se a Luana Piovani engravidar e alguém colocar que eu sou pai do filho da Piovani vão me fazer teste de DNA".

 

Em seu depoimento, Beira-Mar comentou ainda que "traficante não precisa ter plantação". Segundo ele, "no Paraguai em qualquer esquina se consegue comprar arma, maconha, cocaína, qualquer tipo de entorpecente,não preciso plantar para ter o produto". À promotora Luciana Nagib explicou que são tantos plantadores de maconha que não há monopólio na venda, todos vendem.

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