Bergoglio de A a Z

Palavras-chave para entender o primeiro papa latino-americano

Ariel Palacios /CORRESPONDENTE,

20 Julho 2013 | 18h23

Argentina: país onde, em 1936, nasceu Jorge Mario Bergoglio, futuro papa Francisco, neto de imigrantes italianos. A Argentina é o país com maior presença italiana no mundo depois da Itália. Do total de habitantes, 52% têm ao menos um antepassado italiano.

 

Bonorino: Área do bairro de Flores onde Bergoglio nasceu. Sua mãe, Regina Maria, deu à luz na casa da família, na Rua Membrillar, 531. 

 

Companhia de Jesus: Congregação religiosa na qual entrou em sua juventude. Seus membros são conhecidos como jesuítas. Foi fundada por Santo Inácio de Loyola, em 1539. Francisco é o primeiro papa jesuíta.

 

Dostoievski: Fíodor Mihailóvich Dostoievski (1821-1881) é o escritor preferido do papa Francisco. Segundo o escritor austríaco Stefan Zweig, o autor de Os irmãos Karamazov e Crime e Castigo é o melhor conhecedor da alma humana de todos o tempos.

 

El Jesuíta: Nome da primeira biografia escrita sobre Bergoglio, em 2010. Os autores são os jornalistas Francesca Ambroggetti e Sergio Rubin.

 

Filme: O filme preferido do papa Francisco é o dinamarquês A festa de Babette, dirigido em 1987 por Gabriel Axel, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Em 2010, o então cardeal declarou que esse filme mostra um caso típico de exageros dos limites de proibições. Seus protagonistas são pessoas que vivem em um exagerado calvinismo puritano. Quando chega o frescor da liberdade, da abundância em um jantar, todos terminam transformados.

 

Gay: Em 2010, quando era primaz da Argentina, o cardeal Jorge Bergoglio opôs-se intensamente à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto foi alvo de duras críticas do futuro papa. Bergoglio afirmou que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é a pretensão destrutiva do plano de Deus. Mas a Igreja não obteve apoio popular para protestar contra o projeto e fracassou na tentativa de impedir a lei.

 

Hincha: Palavra da gíria argentina para “torcedor”. O papa Francisco é hincha do San Lorenzo desde criança. Semanas após ser eleito sumo pontífice mandou buscar um objeto que guardava em seu modesto apartamento na Cúria e demonstra seu vínculo com o time: uma tábua das arquibancadas do Gasômetro (o antigo estádio do San Lorenzo). Ele a guarda como relíquia esportiva.

 

IHS: É o trigrama feito a partir da versão grega do nome de Jesus Cristo. É utilizado como símbolo pelos jesuítas e está no centro do escudo do papa.

 

Judeus: “Por nossas raízes comuns, um cristão não pode ser antissemita!” A frase de junho tem o objetivo de eliminar entre os católicos as posições antissemitas que ocasionalmente despontam. Bergoglio escreveu em 2010 o livro Sobre o Céu e a Terra, em parceria com o rabino Abraham Skorka, de Buenos Aires. Segundo Skorka, é “o melhor amigo do povo judeu na História do Vaticano”.

 

Kirchners: Bergoglio teve uma relação tensa com o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e com a presidente Cristina Kirchner durante a última década. Kirchner o acusou de “liderar” a oposição. Desde 2004, para não ver Bergoglio de perto e evitar seus sermões - nos quais ressaltava que a pobreza estava crescendo -, os Kirchners mudaram a cerimônia do Dia da Independência, o Te Deum, para outras cidades. 

 

La Nación: Durante mais de uma década, o cardeal Jorge Bergoglio leu todas as manhãs o portenho jornal La Nación, de posições conservadoras. O jornal era entregue todas as manhãs pelo jornaleiro Daniel Loregno. Bergoglio só ia buscar o jornal nos domingos de manhã, antes da missa. Poucos dias após ser eleito papa, telefonou para a casa da família Loregno para avisar que não poderia mais ser cliente, mas pagaria o mês que estava devendo.

 

Miserando atque eligendo: Lema em latim do papa Francisco. Significa “Com misericórdia o escolheu”. A frase é da vigésima primeira homilia de São Beda (672-735), e faz referência à vocação de São Mateus como apóstolo. A frase inteira de São Beda é “Viu Jesus a um arrecadador de impostos e, olhando-o com misericórdia, o elegeu e disse: Siga-me”.

 

Nobel: Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz de 1980, é um dos principais defensores de Francisco. Segundo ele, o papa nunca colaborou com a ditadura militar.

 

Opus Dei: É o nome da organização criada em 1928 por São Josemaría Escrivá de Balaguer. Nos primeiros dias após a eleição de Francisco, analistas de todo o mundo destacaram que ele poderia remover representantes do Opus da estrutura do Vaticano. No entanto, buscou pessoas de lá para investigar o banco do Vaticano, instituição suspeita de corrupção e responsável pelo primeiro escândalo de seu pontificado.

 

Peronismo: Movimento criado pelo general Perón, em 1945. O partido, oficialmente, chama-se Justicialista. Dentro dele convivem setores tão divergentes como os neoliberais e os esquerdistas. Para a ensaísta Silvyna Walger,“o peronismo é como ameba que se adapta a todas as formas e climas para sobreviver”. Bergoglio flertou no início dos anos 70 com a Guarda de Ferro, ala da direita peronista.

 

Químico: Jorge Bergoglio formou-se como técnico químico em 1957 na Escola Técnica Número 27 Hipólito Yrigoyen de Buenos Aires. Trabalhou vários anos em um laboratório de controle de alimentos. Ali, sua chefe foi Esther Ballestrino, militante comunista que foi sequestrada pela ditadura.

 

Romano: A Barbearia Romano é onde o cardeal Bergoglio ia cortar o cabelo. Os barbeiros Mario Sariche e Juan José Ciacero ressaltam que o cardeal chegava e esperava a hora de ser atendido, sem “furar fila”. Sempre deixava gorjeta e conversava sobre assuntos do cotidiano. 

 

Segurança: O papa Francisco ignorou desde o início as normas de segurança rigorosas aplicadas para proteger os sumos pontífices desde o atentado contra João Paulo II, há três décadas. 

 

Tango: Um dos ritmos musicais preferidos de Bergoglio. Ele foi fã desde criança de Carlos Gardel, Azucena Maizani e Julio Sosa. 

 

União livre: O papa Francisco criticou os padres que negam o batizado aos filhos de pessoas em “união livre”, que não se casaram na Igreja. Ele afirmou que a Igreja deve ter “portas abertas” e não agir como uma “alfândega”. “Com frequência nos comportamos como ‘controladores da fé’, e não como ‘facilitadores’”, lamentou durante uma missa em maio. “Desse jeito, não estamos ajudando o povo de Deus.”

 

Videla: Diversos jornais indicaram, nos dias seguintes à eleição do papa, que ele teria tido várias reuniões com Jorge Rafael Videla durante o período em que foi ditador da Argentina, entre 1976 e 1981. Já houve sucessivos desmentidos.

 

Wernich: Christian Von Wernich é um dos emblemas da colaboração da Igreja Católica com a ditadura. Ele foi o primeiro padre a ser condenado por crimes contra a Humanidade em toda a história das Américas. Na época da condenação, Bergoglio emitiu um comunicado expressando “dor pela participação de um sacerdote em delitos gravíssimos”. No entanto, organizações de direitos humanos exigiram que ordenasse a Von Wernich que confessasse seus crimes.

 

Xuereb: O sacerdote Alfred Xuereb é o secretário pessoal do papa. Nascido em Malta, em 1958, foi vice-secretário de Bento XVI.

 

Yorio: Orlando Yorio era um jesuíta que, com seu colega Francisco Jalics, trabalhava nas favelas nos anos 70. Em maio de 1976, eles foram sequestrados pela ditadura militar e selvagemente torturados. Durante vários anos, suspeitaram que Jorge Bergoglio os havia delatado. Hoje, Jalics diz que Bergoglio não os entregou.

 

Zacarias: Voltaram à tona as profecias relativas a papas e ao Vaticano. As principais são as versões dos profetas Zacarias e São Malaquias. Malaquias cita a existência de apenas 112 papas (Bento XVI foi o 111) partir do século 11. Já Zacarias previa que um papa seria ferido no fim dos tempos - e soma-se a isso a falta de preocupação de Francisco com a segurança.

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