Boeing conta com 'fator Obama' na concorrência da FAB

Mesmo sem enviar nenhum executivo ao Brasil, a norte-americana Boeing espera colher frutos da viagem de Barack Obama ao País. A expectativa é de o lobby direto do presidente desequilibrar a concorrência para compra de novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), favorável à francesa Dassault até o fim do ano passado, e dar vantagem à fabricante dos Estados Unidos.

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

20 Março 2011 | 00h00

Antes do embarque de Obama ao Brasil, a Câmara Americana de Comércio esperava uma "surpresa" do encontro entre os dois presidentes. A Boeing prefere a discrição e não tem se manifestado sobre a concorrência com os franceses e com a sueca Saab.

O governo americano, por sua vez, está de olho no impacto desse contrato na cadeia produtiva aeronáutica e, especialmente, em termos de geração de postos de trabalho. O negócio começa com 36 aviões, no Brasil, e deve influenciar outros possíveis clientes, como a Índia.

Um dos pontos-chave que pesam na proposta da Boeing é a transferência de tecnologia prevista na concorrência da FAB. Essa decisão depende de aprovação do Congresso americano, cujas votações já sentem reflexo da eleição presidencial de 2011.

Na semana passada, em entrevista a jornalistas brasileiros e hispano-americanos, Dan Restrepo, conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, insistiu na amplitude da oferta da Boeing em relação à questão-chave de transferência de tecnologia. "Essa é a oferta que se dá aos sócios mais próximos", salientou, ao confirmar a presença do tema na conversa entre Obama e Dilma Rousseff.

A Boeing conta com um lobby forte e permanente para convencer os congressistas americanos a apoiarem o acordo com a FAB. O ponto principal é vencer a desconfiança despertada pela política externa brasileira dos últimos anos. "Será preciso o Brasil trabalhar sua posição anterior sobre o Irã para haver uma mudança da posição do Congresso sobre a transferência de tecnologia dos caças", afirmou Carl Meacham, assessor sênior de Relações Exteriores do Senado americano, em seminário sobre a visita de Obama ao Brasil promovido pelo Woodrow Wilson Center.

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