Bola é condenado a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio

Júri decidiu que o réu é responsável pelos crimes de assassinato e ocultação de cadáver da vítima

Bruno Marques - Especial para O Estado de S. Paulo ,

27 Abril 2013 | 22h56

CONTAGEM – Após seis dias de julgamento, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi condenado, na noite deste sábado, pela morte de Eliza Samudio. Depois de mais de 12 horas de julgamento neste último dia, o júri decidiu que o réu é responsável pelos crimes de assassinato e ocultação de cadáver da ex-amante e mãe de um filho com o ex-goleiro, Bruno Fernandes. A juíza Marixa Rodriguez, a partir da decisão dos jurados, leu a sentença e definiu que o ex-policial cumprirá pena de 22 anos. A magistrada afirmou, durante a leitura, que “houve total confiança de impunidade por parte de Bola”.

A juíza ainda ressaltou o fato de Marcos Aparecido dos Santos privar a família de enterrar o corpo de Eliza Samudio. A juíza ainda o classificou como uma pessoa agressiva e impiedosa, com atitude dolosa e com desvio de caráter, com “requintes de crueldade”.

Mesmo com a defesa insistindo na ausência de provas contundentes que envolvessem Bola à morte, esquartejamento e ocultação do corpo da vítima, os jurados – três mulheres e quatro homens – entenderam que o ex-policial, preso há cerca de três anos, é responsável pelo ato que deu fim à vida de Eliza, a mando de Bruno.

O responsável pela acusação, defendeu tese que Bola estaria em compasso com Macarrão. Ele revelou com detalhes as várias chamadas telefônicas que os dois condenados fizeram entre eles, principalmente no período de 4 a 10 de junho de 2010, data de início do sequestro de Eliza Samudio e data de seu assassinato. O promotor também amparou sua acusação no depoimento do jovem Jorge Lisboa, que confessou ter presenciado parte do crime e ter visto o que seria a mão de Eliza Samudio em um sacola preta que estava sendo carregada por Bola.

Os jurados não se sensibilizaram pelas apelações da defesa que poderiam estar condenando alguém por falta de provas e que estariam sendo fantoches e marionetes do promotor de Justiça, Henry Wagner.

Por várias vezes, o debate entre acusação e defesa deixou o mérito do julgamento de lado e se tornou uma troca de ofensas. Os termos “canalha, prostitua escarlate, e vagabundo” foram bastante explorados por ambas as partes, além de termos pejorativos. Enquanto o promotor explorou o fato de o advogado de defesa já ter sido suspenso pela OAB por uso de crack, Ércio Quaresma se referiu à vaidade e jovialidade do acusador, dizendo que ele usa “gomalina no cabelo” e que ele teria feito aulas de teatro, chegando até a imitar o seu sotaque.

O promotor não desperdiçou as oportunidades de vincular o caso a uma trama de novela, chegando a relacionar os diversos nomes e apelidos do réu, como Bola, Paulista ou Neném, com a personagem Wanda, Marta ou Djanira, da novela Salve Jorge, da Rede Globo.

Sem se esquecer da falta das provas contundentes, a defesa também tentou desconstruir a cronologia dos fatos apresentados pela acusação no dia do assassinato de Eliza Samudio, dizendo ser impossível Bola ter estado em todos os locais que a acusação disse estar, mas este questionamento não foi suficiente para que os jurados inocentassem Marcos Aparecido dos Santos da responsabilidade dos atos que levaram a ex-amante à morte.

Bola acompanhou todo o julgamento e, durante as falas da defesa, se posicionou de frente à juíza. As vezes que a acusação se referia a ele, abaixava a cabeça e se mostrava desolado. Em algumas vezes, ameaçou chorar, mas logo retomou à posição de braços cruzados que o acompanhou durante todo o dia. 

A família de Marcos Aparecido dos Santos acompanhou todo o julgamento e não quis falar com a imprensa.

O advogado Ércio Quaresma, que acusou o interesse do Ministério Público, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais nos holofotes da mídia, informou que está feliz com o resultado e que foi feita justiça, mas que irá recorrer da decisão. 

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