Bolsa-Família em MG frustra virada pró-Serra

No norte do Estado, eleição presidencial se transforma em cabo de guerra entre a força política de Aécio e a popularidade das ações sociais de Lula

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Mesmo com o apoio do senador eleito Aécio Neves e do governador de Minas Gerais Antonio Anastasia, a tarefa de transferir votos dados a Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno ao presidenciável tucano José Serra está sendo tratada pelos prefeitos do interior do Estado como uma "missão quase impossível".

Serra fez campanha ontem em Montes Claros, no norte do Estado, ao lado de Aécio e Anastasia, na tentativa de superar a adversária Dilma Rousseff , que no primeiro turno bateu o PSDB na proporção de três votos para cada um dado ao tucano na região.

O norte de Minas é o berço do voto "Dilmasia", movimento que ganhou força ao longo da campanha do primeiro turno em favor da reeleição do tucano Anastasia e da candidata petista para presidente. A dificuldade que se impõe ao trio tucano para desmontar a preferência por Dilma no segundo turno é grande porque o confronto real na região não é entre Dilma e Serra.

"O Aécio está trabalhando muito e o governador Anastasia também tem se esforçado, mas não há prestígio popular e força política que façam frente ao dinheiro dos programas sociais diretamente no bolso do eleitor", diz o deputado Arlen Santiago (PTB-MG), convencido de que o maior cabo eleitoral de Dilma junto à população mais carente é o Bolsa-Família. Aliado de Aécio e eleitor de Serra, Arlen fala com a autoridade de quem ostenta o título de parlamentar estadual mais votado no norte de Minas.

"O maior adversário do Serra no norte de Minas e Vale do Jequitinhonha é o Bolsa-Família", reforça José Nilson (PDT), prefeito de Padre Carvalho. O prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, do PMDB, não contesta a tese de que a briga eleitoral na região é um cabo de guerra entre a força política de Aécio e sua capacidade de transferir votos e o Bolsa-Família, que seduz os admiradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Leite admite que Aécio e Anastasia estão fazendo um trabalho forte e viraram votos, sem, contudo, ameaçar a supremacia de Dilma na região.

O prefeito atribui a larga vantagem de Dilma sobre Serra no primeiro turno - 62% para a petista contra 21% do tucano - ao fato de que "os prefeitos ficaram soltos". Segundo ele, não houve trabalho político nem uma "insistência maior em favor do Serra", como está ocorrendo hoje.

"Agora é que eu estou vendo um trabalho forte do Aécio e do governador Anastasia, mas, com todo o respeito, a Dilma vai ganhar aqui", acredita Leite. Ele acha que Serra pode apenas melhor o placar eleitoral.

"Não vou acabar com o Bolsa Família. Vou reforçar, vou ampliar e vou dar o 13º ao programa", disse ontem Serra, acusando o PT de fazer "terrorismo" ao espalhar que ele vai acabar com o Bolsa Família.

Pelas contas do deputado Santiago, Aécio e Anastasia conquistaram cerca de 80 dos 92 prefeitos da região. "Mas são 80 prefeitos e 30 mil (beneficiados do) Bolsa-Família só em Montes Claros."

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