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Bolsonaro ataca negros e gays na TV

Deputado critica homossexuais e liga relacionamento inter-racial a ''promiscuidade'' no programa ''CQC''; Preta Gil afirma que irá à Justiça

Lucas de Abreu Maia, André Mascarenhas e Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) afirmou, em entrevista ao programa CQC na segunda-feira à noite, na TV Bandeirantes, que seria uma "promiscuidade" um filho dele se apaixonasse por uma negra. O parlamentar também atacou as cotas raciais e os homossexuais. A cantora Preta Gil, criticada pelo parlamentar durante o programa, decidiu processá-lo. Bolsonaro ontem recuou de parte das declarações, mas voltou a provocar a cantora.

No programa, ao responder a perguntas pré-gravadas, o parlamentar disse que, se pegasse um filho fumando maconha, o torturaria. À indagação sobre a hipótese de ter um filho gay respondeu: "Isso nem passa pela minha cabeça, eu dei uma boa educação, fui pai presente, não corro esse risco." Questionado sobre as cotas, foi contundente: "Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista nem aceitaria ser operado por um médico cotista."

Na sequência, o deputado foi indagado por Preta Gil, filha do compositor e ex-ministro Gilberto Gil, sobre o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma negra. "Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco", respondeu. "Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu."

Processo. "Racismo é crime! E ele assume que o é!", escreveu a artista no Twitter, ao anunciar que processaria Bolsonaro. "Não farei somente por mim e pela minha família, que foi ofendida e caluniada por ele, mas também por todos os negros e gays deste país."

Capitão reservista do Exército, Bolsonaro já se envolveu várias vezes com polêmicas relacionadas ao período do regime militar. Chegou a defender o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Diante da forte repercussão das declarações ao CQC, ele alegou ter se equivocado na resposta. Disse ter entendido que a pergunta era se seu filho namorasse uma pessoa do mesmo sexo.

"Foi um mal-entendido, eu errei. Como veio uma sucessão de perguntas, eu não ouvi que era aquela pergunta, foi um equívoco. Entendi que a pergunta era se meu filho tivesse um relacionamento com gay, por isso respondi daquela forma", disse. "Na verdade, quando eu vi a cara da Preta Gil eu respondi sem prestar atenção."

Questionado sobre qual seria sua resposta à pergunta feita pela cantora, o deputado voltou ao ataque: "Eu responderia que aceito meu filho ter relacionamento com qualquer mulher, menos com a Preta Gil."

O deputado também reagiu quando foi indagado se sua postura ofensiva contra os homossexuais não poderia lhe tirar votos. "O dia em que eu me preocupar com eleitor eu viro vaselina. Não quero me preocupar com um eleitor que quer que eu chame ele de bonitinho. Não quero voto de ignorante."

Conselho de Ética. Ele próprio decidiu protocolar um requerimento para ser ouvido pelo Conselho de Ética. "Não vou deixar ninguém aparecer em cima disso. Eu mesmo vou pedir para me explicar lá." Frisou que já foi processado no conselho cerca de 20 vezes durante seus seis mandatos e foi absolvido em todas.

Reação

JAIR BOLSONARO

DEPUTADO (PP-RJ)

"Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu"

"Foi um mal-entendido, eu errei. Na verdade, quando eu vi a cara da Preta Gil eu respondi sem prestar atenção"

PRETA GIL

CANTORA

"Racismo é crime! E ele assume que o é! Não farei somente por mim e pela minha família, que foi ofendida e caluniada por ele, mas também por todos os negros e gays deste país"

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