Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Bombeiros encontram 3 corpos nos escombros de prédios que desabaram no Rio

Vítimas ainda não foram identificadas. Pelo menos 21 pessoas estão desaparecidas

Pedro Dantas, Solange Spigliatti, Ricardo Valota, Priscila Trindade e Fábio Grellet, do estadão.com.br,

26 Janeiro 2012 | 10h32

Atualizado às 11h30 (26/01/2012)

São Paulo, 26 - As equipes de busca dos bombeiros já retiraram três corpos dos escombros na manhã desta quinta-feira, 26, no Centro do Rio, onde três prédios desabaram na noite de ontem. Segundo os bombeiros, os corpos são de um homem e uma mulher, ambos adultos, ainda não identificados. O sexo da terceira vítima não foi confirmado. Os trabalhos de buscas continuam em dois pontos principais, indicados pelos quatro cães farejadores que ajudam nas buscas. Pelo menos 21 pessoas continuam desaparecidas.

O presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia (Crea) Luiz Antonio Cosenza, confirmou nesta quinta-feira, 26, que estavam sendo realizadas obras no terceiro e no nono andares do edifício Liberdade, na Avenida Treze de Maio, no centro do Rio de Janeiro. As paredes divisórias tinham sido retiradas recentemente e no local foi aberto um grande salão. "Estamos tentando descobrir se as obras tinham autorização. Dependendo do tipo de obra, pode ter havido comprometimento da estrutura do prédio. Mas é cedo para afirmar as causas", disse Cosenza.

O prédio desabou por volta de 20h30 de quarta-feira, 25, junto mais duas edificações, atingindo também um quarto edifício. Os edifícios tinham 20, 10 e quatro andares. O menor estava entre os outros dois.

Dano estrutural - Em entrevista ao jornal Bom dia Brasil, na manhã de hoje, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, comentou sobre as possíveis causas do desmoronamento. "Aparentemente não foi uma explosão, o desabamento pode ter acontecido por um dano estrutural em um dos prédios. Acredito que não tenha sido vazamento de gás", conclui.

Segundo ele, as causas do acidente ainda não foram esclarecidas. "A prioridade agora é o trabalho dos bombeiros em procurar as vítimas".

Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas - quatro homens e uma mulher - e 19 estão desaparecidas. Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro intensificaram nesta quinta-feira, 26, as buscas nos escombros. Quatro cães farejadores identificaram dois focos onde, possivelmente, existam soterrados. Por segurança, a área, que é bastante movimentada, está interditada desde a madrugada.

De acordo com as equipes do Corpo de Bombeiros que trabalham no local, o zelador de nome foi retirado com vida dos escombros e disse que, no momento do desabamento, apenas ele estava no prédio. Antes foram ouvidos três estalos, quase simultâneos, e quem passava na hora conseguiu correr.

Foi o caso do auxiliar de manutenção, Júlio César de Oliveira Brandão, 40 anos. “Após o terceiro estalo seguido, o prédio desabou. Caiu de uma vez. Houve muita fumaça que tomou conta de toda a região da Cinelândia. O prédio caiu de lado. A queda provocou um estouro e caiu”, disse.

O servidor público Aloísio Pereira, de 41 anos idade, também passava na hora do desmoronamento. Segundo ele, “a queda foi rápida, com um estrondo muito forte, e muita fumaça tomou conta da área”.

Sobreviventes - O Hospital Estadual Getúlio Vargas atendeu durante a noite de quarta-feita, 25, a paciente M.M., 48 anos, que chegou por conta própria, com relato de queda ao solo após desabamento do prédio da Rua Treze de Maio, no Centro. A paciente apresentou escoriações superficiais e ficou sob avaliação, mas era bom o estado geral e ela recebeu alta. Segundo o hospital, a mulher estava com a roupa coberta de pó, disse que trabalha em um prédio em frente ao local do acidente e que optou por ir ao HEGV por ser mais próximo de sua casa.Entre os desaparecidos está o analista de sistemas Marcelo Rebelo, que faz um curso de informática três vezes por semana em um dos prédios que desabou e ontem não voltou para casa. A mulher do analista tentou falar com ele pelo celular, mas o aparelho está fora de área.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, coronel Sérgio Simões, é muito pequena a possibilidade de haver sobreviventes. "Somente se algum bolsão de ar se formou durante a queda", disse.

Para atender às famílias, foram montados dois núcleos de atendimento - um na Câmara Municipal do Rio e outro em uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF). Os dois locais estão próximos aos prédios que desabaram. Os atendimentos são feitos por funcionários da Defesa Civil e a prefeitura.

Entre as cinco pessoas feridas, três foram socorridas por meio próprio e outras duas foram retiradas dos escombros pelos bombeiros e levadas para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Uma mulher de 30 anos com ferimento na cabeça foi encaminhada para o centro cirúrgico do hospital. Um homem de 37 anos teve trauma abdominal e está em observação. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, ele teve outros ferimentos leves e está lúcido.

Entre os feridos estaria também o zelador do prédio de dez andares e um operário que trabalhava na obra do prédio de 18 pavimentos, que estava dentro do elevador. Segundo a Defesa civil, alguns dos feridos já receberam alta.

A Secretaria de Saúde do Estado disse ter colocado todos os hospitais em alerta para receber possíveis vítimas. As unidades de socorro mais próximas são as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Tijuca e Botafogo e o Hospital Souza Aguiar.

Entre os 60 bombeiros, de quatro quartéis da cidade, que estão realizando os trabalhos de buscas e resgates de vítimas, vários deles atuaram no trabalho de resgate das vítimas do terremoto que atingiu o Haiti.

A Light informou que uma equipe está no local para desligar a energia nos arredores do prédio para evitar incêndios. O pedido foi feito pela prefeitura. Testemunhas relataram um forte cheiro de gás na região.

Vários carros que estavam estacionados na região ficaram cobertos de poeira em decorrência dos escombros. Edifícios localizados em volta dos prédios desabados também ficaram encobertos, como o prédio no qual funcionava uma agência do Banco Itaú e uma padaria. Nas proximidades também fica o tradicional Bar Amarelinho, que reúne políticos, artistas e jornalistas há décadas.

Metrô - Em entrevista coletiva, no início da madrugada desta quinta-feira, 26, na região onde ocorreu o desabamento de três prédios, no centro do Rio, o prefeito carioca Eduardo Paes afirmou que, de acordo com o presidente do Metrô, nenhuma das estações localizadas naquele trecho da cidade sofreu qualquer tipo de abalo estrutural e toda a malha metroviária da capital fluminense funcionará normalmente nesta quinta-feira. "O presidente do Metrô já esteve aqui e garantiu que o metrô funcionará normalmente", disse.

Momentos após o desabamento, foram fechadas as estações Presidente Vargas, Uruguaiana, Carioca e Cinelândia do Metrô-Rio. Por isso, a linha 1 chegou a operar de Ipanema/General Osório a Glória e de Saens Peña a Central e a linha 2 opera de Pavuna a Estácio. As linhas de ônibus 180 e 184, que passam pelo metrô do Largo do Machado até a Central, estão sendo reforçadas por causa do fechamento das estações do metrô. Segundo a prefeitura, as estações do metrô abriram ás 5 horas de hoje, e as estações da região central da cidade funcionam normalmente.

Dois fiscais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ) acompanham os trabalhos das equipes que estão no local com o objetivo de buscar as primeiras informações para detectar as causas do desabamento do edifício. Na manhã desta quinta, o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes (CAPA), Luiz Antonio Cosenza, estará no local para dar prosseguimento aos trabalhos.

Interdições - Para permitir o trabalho das equipes da Prefeitura do Rio e dos Bombeiros no local do desabamento, estão interditados os seguintes trechos: Avenida Treze de Maio, Avenida Almirante Barroso entre Avenida Rio Branco e Senador Dantas.

A Rua Senador Dantas vai funcionar com mão invertida entre Avenida Almirante Barroso e Evaristo da Veiga. Para esta operação, agentes de trânsito trabalharão nos bloqueios com apoio de 10 painéis informativos. Veículos procedentes da Cruz Vermelha e da Avenida República do Chile deverão seguir pela Rua Senador Dantas que estará com a mão invertida. Por conta do trabalho das equipes, não será permitido o acesso aos prédios da Avenida Treze de Maio. A via continuará fechada para carros e pedestres.

A Prefeitura do Rio reforçou o efetivo na região onde três prédios desabaram. Cerca de 200 homens da CET-Rio e da Guarda Municipal estão nas ruas orientando o trânsito no entorno do desmoronamento.

A CET-Rio também posicionou dez reboques na região e dez painéis em diferentes pontos da cidade. A Rioluz dá apoio com 20 homens, três caminhões do tipo cesto, geradores, equipamentos de segurança e iluminação. A Seconserva atua com 30 homens, 10 caminhões e duas escavadeiras.

A Comlurb conta com 30 homens, 10 caminhões e duas pás mecânicas. A Secretaria Municipal de Obras disponibilizou três escavadeiras hidráulicas, um guindaste de cem toneladas, duas tesouras mecânicas e um rompedor pneumático. A Secretaria de Ordem Pública patrulha a área com seis equipes de controle urbano, enquanto a Secretaria de Assistência Social atua com 20 profissionais.

O médico anestesiologista do Hospital dos Servidores do Estado |(HSE), José Antonio Diniz, mora nas proximidades da Cinelândia. Ao saber do desabamento pela televisão, foi de moto para o local, e apresentou-se como voluntário. Ele ajudou a retirar dos escombros o zelador de um dos prédios, identificado apenas como Marcelo, que aparentemente estava bem e deu informações importantes sobre a logística do prédio. Segundo o médico, o zelador declarou que apenas ele estava no edifício.

José Diniz disse ainda que chegou ao local praticamente junto com as equipes do Corpo de Bombeiros. “Há escombros em uma altura de 30 metros e ainda há fumaça no local. O prédio tem dois elevadores e os bombeiros concentraram as buscas por vítimas nas áreas próximas ao elevadores”, declarou.

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