Brasil enviou 1,5 milhão de visitantes aos Estados Unidos em 2011

País supera França e é o 4º da lista que mais mandou turistas; brasileiros superam gastos de europeus

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2012 | 23h00

SÃO PAULO - Os meses de espera para o agendamento e filas quilométricas no dia da entrevista para tirar visto americano não foram empecilho para 1,5 milhão de brasileiros que visitaram os Estados Unidos em 2011. Os números da associação americana US Travel colocam o Brasil em quarto lugar no ranking de países que mais mandam turistas para os Estados Unidos, ultrapassando a França.

Não bastasse lotar os parques temáticos e pontos turísticos, o brasileiro é o que mais gasta no país: uma média de U$ 5,5 mil por pessoa, quase R$ 10 mil. E nesta conta não estão incluídos hotel e passagem aérea.

"O brasileiro, quando viaja, impulsiona tudo o que existe de infraestrutura local. Almoça e janta fora, compra presente para família e amigos, para ele mesmo, aluga carro, anda de táxi, gasta com ingressos para shows", explica Luiz Moura, vice-presidente da US Travel. "É totalmente diferente do europeu, que tem o hábito de andar de transporte público, não compra presente para todo mundo nem dá tanta importância para o café da manhã ou almoço, por exemplo."

A Flórida é o Estado americano que mais recebe brasileiros - 50% das pessoas que embarcam daqui para lá vão para Miami e Orlando, nesta ordem. Depois vêm Nova York, Los Angeles e São Francisco.

"Ultimamente, outros destinos entraram na moda entre os brasileiros, como Las Vegas. A procura também cresceu muito por New Orleans, Boston e Chicago", diz Moura.

Privilégios. O turista do Brasil é hoje um visitante "de honra" para os americanos. Grandes lojas em Nova York já têm no quadro de funcionários gente falando em português, e a língua também já é usada em placas nos pontos turísticos.

O perfil desses visitantes, em geral, é gente das classes A e B, com grande potencial de compra. No entanto, a classe C já começa a se destacar na procura por pacotes, principalmente na alta temporada.

"Os americanos hoje veem o brasileiro como um turista privilegiado. A questão da ilegalidade ficou no passado, mesmo porque, com o bom momento da economia brasileira, os ilegais estão voltando para o País", comenta Leonel Rossi Júnior, diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav).

Desafios. Apesar das facilidades colocadas para agilizar o trâmite de visto, o desafio do Brasil ainda é aumentar o número de postos de atendimento no País. Só o consulado em São Paulo atende 3 mil pessoas por dia - é o posto mais próximo para quem vem dos três Estados da Região Sul, mais Minas Gerais e interior de São Paulo. A média de aprovação é das mais altas do mundo: 95% dos vistos solicitados.

"A espera hoje para conseguir uma entrevista chega a três meses nos períodos mais críticos em São Paulo. O ideal é diminuir para 10 dias", afirma Alexandre Pedrosa, diretor da Infovistos, empresa que auxilia quem quer tirar visto para viajar.

Ontem, a espera para conseguir uma entrevista de visto era de 1 mês e meio em São Paulo - a data mais próxima era 4 de abril.

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