Brasil não tem mais descendente do grupo de judeus do Recife

Brasil não tem mais descendente do grupo de judeus do Recife

Segundo historiador, no século 17 eles não puderam permanecer no Brasil sob domínio da coroa portuguesa

Gustavo Chacra, Correspondente, NOVA YORK,

14 Julho 2012 | 17h30

Não há mais descendentes dos judeus que estiveram no Recife no século 17 atualmente no Brasil. Todos retornaram para a Holanda ou integram a árvore genealógica dos que partiram para Nova York. “A história dos 23 é realmente sui generis. Os outros navios (com judeus do Recife) voltaram aos Países Baixos (Holanda) e de lá realmente muitos ‘ex-brasileiros’ retornaram à América para tomar parte nas incursões colonizadoras do Caribe, não só sob bandeira holandesa, mas também francesa e inglesa.

 

Atualmente, há remanescentes judaicos no Suriname e em Curaçau”, afirma Daniel Breda, do Arquivo Histórico Judaico no Recife, que estudou a história dos judeus portugueses na Holanda.

Segundo o historiador, que tem origem judaica portuguesa, “os judeus residentes no Recife holandês não tiveram a possibilidade de permanecer no Brasil sob jugo português. Em janeiro de 1654, o comandante das tropas luso-brasileiras, Barreto de Menezes, após a capitulação dos holandeses, garantiu somente três meses de salvo-conduto aos judeus. Ele deixou bem claro que os judeus que em algum momento haviam sido batizados e voltado a exercer o judaísmo durante o domínio holandês estariam sujeitos à Inquisição”.

Breda afirma haver histórias de algumas famílias que se dispersaram pelo sertão nordestino. “Mas nunca vi um estudo comprobatório que demonstre linearmente a descendência de um judeu praticante do Brasil Holandês remanescente no País. O que posso afirmar com certeza é que antes e depois dos holandeses havia cristãos-novos, às vezes de famílias convertidas havia muitas gerações, vivendo por todo o Brasil.”

O historiador acrescenta que “nem todos os que estavam lá em 1630 passaram a professar o judaísmo publicamente”. “Portanto, há descendentes de cristãos-novos no Nordeste inteiro, mas naturalmente, como em todo o País, trata-se de uma composição parcial da genética do brasileiro, tal como negros, índios e outros grupos caucasianos.” Uma das marcas da presença judaica no Recife é a Rua Bom Jesus, antes conhecida como Rua dos Judeus.

 

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