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Cabral ameaça ir à Justiça para impedir transposição do Paraíba do Sul

Ricardo Brandt e Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo

22 Março 2014 | 03h 00

Governador subiu o tom contra projeto de Alckmin de usar rio para ajudar Cantareira

Representantes de municípios e empresas do interior paulista saíram nesta sexta-feira, 21, em defesa da proposta do governo estadual de buscar água na Represa de Igaratá, na bacia do Rio Paraíba do Sul, para socorrer o Sistema Cantareira. Já o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), avisou a presidente Dilma Rousseff, durante audiência nesta sexta-feira no Planalto, que "se for preciso, irá à Justiça", para impedir a transposição.

Cabral disse à presidente da República que os órgãos técnicos do Rio ligados ao setor vão elaborar "todos os estudos possíveis" para impedir que seja aprovado qualquer projeto que estabeleça ajuda a São Paulo, usando água do rio Paraíba do Sul. Ele fez questão de dizer que "respeita o governador Geraldo Alckmin". "Mas esta falta de água no Estado é um problema de gestão dele e não do Rio."

Já a presidente Dilma Rousseff decidiu que não vai entrar diretamente na disputa entre Cabral e Alckmin. A presidente está preocupada com a situação do abastecimento de água em São Paulo e teme os reflexos de um possível racionamento no período anterior ou mesmo durante a Copa do Mundo de Futebol. No entanto, quer evitar participar de uma guerra pela gestão da água.

A recomendação é que a Agência Nacional de Águas (ANA) apresse os estudos sobre o caso. Só que, de acordo com informações obtidas na ANA, o governador de São Paulo ainda não apresentou nenhum novo estudo à agência pedindo a aprovação de qualquer projeto visando à transposição de água para o Sistema Cantareira.

Paulistas. Em São Paulo, a proposta tem mais defensores. "É um volume tão pequeno que não vai ter impacto nenhum hoje no Rio Paraíba", afirmou o presidente do Consórcio das Bacias do Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), o prefeito de Indaiatuba, Reinando Nogueira (PMDB). São os rios da bacia que abastece 47% da Grande São Paulo.

Reunidos em Valinhos, prefeitos e integrantes do Consórcio do PCJ defenderam ontem que a transposição da água do reservatório não afeta o Rio e já havia sido sugerida pelo órgão em documento de 7 de fevereiro.

A proposta foi um dos itens que constou no documento "Mandamentos da Estiagem", com 25 medidas a serem discutidas e implementadas pelas cidades do interior para evitar o esvaziamento dos reservatórios do Cantareira.

A Represa Jaguari, que é estadual, está acima do Rio Paraíba do Sul, que é de domínio federal e de onde o Estado do Rio tira água. Pela proposta, a represa será interligada por dutos de mão dupla com a represa Atibainha (do Cantareira). Em momentos críticos, uma auxiliará a outra.

Nogueira atribuiu a reação do governo do Rio, que questionou o prejuízo ao abastecimento no Estado, a "uma posição política mal colocada". "No primeiro momento, o político dá aquela sensação de que estão roubando água, vai faltar. Eles não têm o conhecimento técnico para tomar uma posição."

O consórcio ainda decidiu redigir uma moção pedindo o adiamento da renovação da outorga, que permite que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) explore o Cantareira. "Tudo estava pronto para assinar. Mas daqui para frente, pegaremos as ideias todas sobre essa crise e estabeleceremos prazos para as coisas acontecerem. Até para termos condições de cobrar", afirmou Nogueira.

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