Marcos de Paula/AE
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Cabral cobra prefeitos por vitória de petista

Em encontro de mobilização para o segundo turno organizado pelo governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB), prefeitos de algumas regiões do Rio foram repreendidos pelo fraco desempenho da petista Dilma Rousseff na primeira etapa das eleições presidenciais e convocados a garantir a vitória da candidata em 31 de outubro. A cobrança mais dura foi do senador Francisco Dornelles (PP). Em tom de brincadeira, ele disse que os prefeitos que não garantirem a vitória de Dilma não serão contemplados com emendas parlamentares para seus municípios.

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2010 | 00h00

"Eu acho que depois do dia 31 de outubro vai vir aquela ficha: prefeito que ganhou e prefeito que perdeu. Prefeito que perdeu vai buscar emenda em outro lugar", discursou, sob aplausos. O senador disse entender que os prefeitos estivessem envolvidos com eleições de deputados, senadores e do próprio Cabral. "Agora não tem desculpa para a derrota de Dilma em qualquer município do Rio de Janeiro."

A reunião, realizada em pleno horário de expediente, entre 16 e 17 horas, teve a presença de pouco mais de 60 dos 92 prefeitos fluminenses, além de deputados e vereadores e do senador eleito Lindberg Farias (PT).

"Desafio". Cabral, que teve 5,2 milhões de votos - 1,5 milhão a mais que Dilma no Estado - lançou um "desafio" aos aliados. "Como nós ganhamos, Dilma vai ganhar nas 92 cidades do Rio de Janeiro. Vamos ser gratos ao que o presidente Lula e Dilma como ministra fizeram pelo Estado." Também estava presente a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilceia Freire, que tirou férias para se dedicar à campanha de Dilma.

Na reunião, foram citadas as regiões Serrana e dos Lagos como exemplos do mau desempenho de Dilma, que ficou em segundo e até terceiro lugar em alguns municípios. No Estado, Dilma ganhou com 43,76% dos votos. Em segundo ficou Marina Silva (PV), com 31,52%. O tucano José Serra teve 22,53%.

O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse que viu de perto, no interior, o forte movimento religioso contra Dilma. Ao mesmo tempo, lembrou aos prefeitos que a continuidade do governo Lula é garantia de andamento de projetos que têm parceria com a União.

"A gente tem que ser pragmático, olhar para o próprio umbigo, ser bairrista", disse Pezão. "A gente deu uma vacilada e a maior votação da Marina foi no Estado do Rio, mas a candidatura do governador Cabral era tão forte que ela não puxou o candidato dela (Fernando Gabeira, que concorreu ao governo)", afirmou o vice-governador, que se disse "pronto para conversar no rádio com pastor, com padre, com quem precisar".

Cabral confirmou que Dilma e Lula estarão no Rio para uma carreata no domingo, o último antes da eleição. Segundo o governador, a programação deverá ser feita na zona oeste.

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