Cabral vai discutir implantação do "Tolerância Zero" no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, vai se encontrar na tarde de sexta-feira, 27, com o candidato republicano à presidência americana, Rudolph Giuliani, para discutir programas de segurança. Giuliani foi prefeito de Nova York, onde implementou um programa de segurança pública que reduziu de forma dramática a criminalidade na cidade, conhecido como "tolerância zero". "Tenho procurado buscar experiências que deram certo no Brasil e no exterior, fui à Colômbia com o governador de Minas, Aécio Neves", disse Cabral. Cabral passou quatro dias em Bogotá e Medelin. "A Colômbia tem uma economia bem menor que a do Rio, e problemas de segurança bem maiores - mas centros urbanos de Bogotá e Medelin conseguiram aprender a lidar com essa guerra." Na sexta-feira, 27, ele encontra Giuliani para "aprender com a experiência de Nova York, que é um caso de sucesso, e ouvir sugestões." Cabral contou que falou por telefone com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e aguarda a chegada das Forças Armadas ao Rio. O governador do Rio de Janeiro vai passar uma semana nos Estados Unidos, conversando com investidores. Foi para Houston discutir investimentos em petróleo, e está procurando também parcerias na área de resseguros. Críticas ao modelo "Tolerância Zero" O professor da Universidade de Wisconsin, Michael Scott, criticou a iniciativa do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, de querer implementar o programa "Tolerância Zero", inspirado nas práticas bem-sucedidas da polícia de Nova York na década de 90. "Em nenhuma cidade do mundo, o sistema tem capacidade de lidar com o total cumprimento da lei. Numa cidade como o Rio, em meia hora as prisões estariam lotadas e a Justiça receberia uma enxurrada de processos", disse Scott, durante palestra a policiais do Estado do Rio. Para Scott, que dirige o Centro de Policiamento Orientado Para o Problema - organização de pesquisadores e policiais que estudam boas práticas para reduzir a criminalidade - a idéia de tolerância zero desenvolveu vida própria, distanciada da realidade. "O chefe de polícia de Nova York, que hoje é chefe de polícia de Los Angeles, diz que nunca defendeu essa prática porque sabe que é impossível". Em Nova York, explicou, houve um conjunto de práticas muito mais amplas, que resultaram na redução da violência, como o mapeamento de crimes e uso de armas Não-Letais. Na opinião de Scott, o cumprimento da lei à risca pode distanciar ainda mais a polícia do cidadão. "A polícia soluciona uma parte muito pequena dos crimes, e a maioria deles só é resolvida com a ajuda da população", diz ele, acrescentando que com a tolerância zero o cidadão pode achar a lei injusta e perder a confiança na polícia. Ele disse ainda que a violência dos criminosos contra os policiais é proporcional a usada pela instituição contra a população. Segundo os estudos, quando a polícia passa a controlar a permissão para matar, ela passa a ser menos alvejada. Essa exeperiência foi feita em Nova York, e está em fase de implementação nas polícias do Rio. O conceito-chave para a redução da criminalidade, segundo o acadêmico, não é a certeza nem o tamanho da punição. "O papel da polícia é não dar a oportunidade para o criminoso", disse ele, após a palestra, em entrevista ao Estado. O policiamento orientado para o problema trabalha com dados coletados pelas fontes policiais e mapeia os locais e tipos de crimes, com o objetivo de impedir que eles aconteçam. A Secretaria de Segurança do Rio já divulga mensalmente desde 2003 o boletim de ocorrências policiais por áreas. A redução da oportunidade para o crime, através do uso inteligente e estratégico do efetivo policial, pode reduzir ainda os índices de delinqüência juvenil. Scott disse que o debate acerca da redução da maioridade penal também é recorrente na sociedade americana, mas não acredita que haja resultados práticos. Sobre a legalização da drogas, especialmente da maconha, como é defendida pelo governador Cabral, o acadêmico também disse não ver benefícios a longo prazo, apesar de reduzir o número de crimes "porque reduz-se o que é classificado como crime". Em muitos Estados americanos, segundo ele, acontece uma "descriminalização branca" da maconha, com policiais ignorando o uso pessoal da droga para não sobrecarregar o sistema. Em relação a outras drogas, ele acha que o alto custo social não compensa a legalização.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 18h57

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