Câmeras de Bangu 8 estavam desligadas, diz secretário

Por isso, fuga de ex-PM acusado de integrar mílicia na zona oeste do Rio não pôde ser gravada

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2008 | 17h48

O secretário de Administração Penitenciária César Monteiro disse nesta sexta-feira, 31, que uma fraude nas câmeras do presídio de segurança máxima Bangu 8, na zona oeste do Rio, impediu que a fuga do ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, integrante da milícia Liga da Justiça, fosse gravada. Segundo ele, investigação da corregedoria da Seap constataram que as câmeras não estavam quebradas, mas desligadas entre os dias 22 e 28 - a fuga aconteceu na manhã de 27.   Em depoimento na audiência pública das comissões de Segurança e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, que apura a morte do ex-diretor de Bangu 3, coronel José Lourenço, há três semanas, Monteiro disse que a falha de segurança pode ter sido negligência do ex-diretor de Bangu 8, Luiz Henrique Burgos, que foi exonerado no dia seguinte à fuga.   As imagens que mostram Batman deixando a penitenciária pela porta da frente, sem que passasse pelo detector de metais, sem algemas, acompanhado de dois comparsas que se passavam por agentes penitenciários, foram captadas da câmera externa do complexo penitenciário. "O preso sai sem a menor preocupação de que a fuga poderia não dar certo", disse.   Batman seria levados, supostamente, para uma consulta com um oftalmologista que já havia sido desmarcada, sem que a penitenciária fosse avisada. Não foi a primeira vez que houve fraude. O mesmo teria acontecido no ano passado no episódio da briga entre dois bicheiros presos.   Morte   O secretário responsabilizou várias pessoas sobre a morte do coronel José Roberto do Amaral Lourenço, ex-diretor de Bangu 3 - morto em 16 de outubro com mais de 60 tiros de fuzis quando seguia de carro para o presídio. Além do próprio Lourenço, que segundo ele abdicou da escolta por opção própria, ele culpou mais uma vez criticou a falta de policiamento ostensivo nas ruas da cidade e ainda criticou ex-subsecretário de Unidades Prisionais, coronel Francisco Spargoli, por não ter percebido a necessidade de fornecer segurança a Lourenço.   Monteiro disse que a secretaria já recebeu várias denúncias de que o diretor poderia sofrer uma emboscada e que ele era avisado do perigo. O deputado Marcelo Freixo (PSOL), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, criticou a fragilidade da segurança do ex-diretor. "A segurança aos diretores não pode ser opção, deve ser compulsória", defendeu.   Spargoli, que foi exonerado do cargo dois dias depois do assassinato, depôs em audiência pública na semana passada e acusou o secretário de não fornecer a escolta aos diretores. "O responsável por fornecer escolta, arma e carro aos diretores e coordenadores era o subsecretário, que além de ter essa obrigação por função, era amigo pessoal do coronel Lourenço", afirmou o secretário. Monteiro apresentou ontem um documento em que Lourenço dispensava o serviço de um policial militar que lhe servia como motorista, a pedido do PM.   Presente na audiência, o titular da Delegacia de Homicídios, Roberto Cardoso, que apura a morte do ex-diretor de Bangu 3 confirmou que, em depoimento, um irmão do coronel disse que ele não gostava de andar com seguranças. Anteontem, a Justiça decretou a prisão de quatro pessoas acusadas de participar da morte do coronel. Três são traficantes presos e um está foragido.

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