Campanha de Dilma culpa Aécio por violação

Para PT, a quebra de sigilo é mais um capítulo da 'guerra entre tucanos'

Vera Rosa , João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

O comando da campanha de Dilma Rousseff (PT) responsabilizou o senador eleito Aécio Neves (PSDB) pela quebra de sigilo fiscal de parentes e amigos do candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Na avaliação dos petistas, a arapongagem é mais um capítulo da "guerra entre tucanos" travada para a definição do concorrente do PSDB ao Planalto, no ano passado.

"Caiu por terra a tentativa de Serra e da oposição de dar forma de estrela a esse bicho (quebra de sigilo fiscal), que tem perna, pena e bico de tucano", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Todo mundo sabe que o jornalista Amaury Ribeiro Jr. estava a serviço do Aécio para se contrapor à sujeira do Serra e montar um dossiê", emendou o secretário de Comunicação do PT, André Vargas.

Dutra anunciou ontem que pedirá a abertura de novo inquérito à Polícia Federal, desta vez para apurar a existência de uma "central de espionagem" comandada pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). Ex-delegado da PF, Itagiba é homem da confiança de Serra e foi presidente da CPI dos Grampos, na Câmara.

Nos bastidores do comitê de Dilma, o comentário é que Itagiba estava a serviço de Serra para montar um dossiê contra Aécio, que à época disputava com o paulista a indicação do PSDB para ser candidato à Presidência. O deputado nega. Por essa versão, o então governador de Minas teria revidado com outro dossiê, contratando Amaury Ribeiro Jr.para a tarefa.

A investigação da Polícia Federal indica que foi o jornalista quem encomendou a quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de Serra, Verônica, do genro dele, Alexandre Bourgeois, e de outros tucanos, entre setembro e outubro de 2009. Na ocasião, Ribeiro trabalhava para o jornal O Estado de Minas.

O jornalista disse à PF que esteve em Brasília no mês de abril e se reuniu com petistas para acertar como seria sua participação no "núcleo de inteligência" da pré-campanha de Dilma. A hospedagem, de acordo com ele, foi paga por um colega do PT.

O presidente do PT negou que o partido tenha pago o hotel de Amaury. "Nós somos os maiores interessados no esclarecimento dos fatos para que não se diga que foi alguém do PT ou da campanha", insistiu Dutra.

Dirigentes do PT afirmam que a ligação de Amaury não era com o partido, mas, sim, com o jornalista Luiz Lanzetta. Responsável pela estratégia de comunicação de Dilma, Lanzetta caiu em desgraça depois que foi revelado um encontro entre ele, Amaury Ribeiro e arapongas.

O episódio também escancarou uma disputa de poder entre petistas na campanha de Dilma. De um lado estava o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e, de outro, o grupo do ex-secretário municipal Valdemir Garreta. / COLABOROU ANDREA JUBÉ VIANNA

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