Campanha já fala em transição de governo

O presidente do PSDB nega 'salto alto' e diz que os petistas não estão dispostos a abrir mão do poder

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Embalado pelas pesquisas de intenção de voto, que apontam situação favorável para a candidatura do presidenciável José Serra (PSDB), o comando da campanha tucana já fala em "transição de governo" e diz que o PT não está disposto a abrir mão do poder.

"Eles não estão dispostos a entregar o governo. Eu disse isso lá atrás", afirmou ontem o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). "Tenho certeza de que não irão fazer nada parecido com o que Fernando Henrique Cardoso fez."

Questionado se o partido não estava adotando uma postura excessivamente autoconfiante, criticada pelos próprios tucanos durante o primeiro turno da campanha, o senador afirmou: "Não acho que é autoconfiante. Muita gente enxerga a chance de vencer. Havia uma convicção muito forte da vitória por parte deles. Trabalhar para que essa convicção diminua é essencial."

Guerra afirmou não estar adotando uma postura de "salto alto". "Falei há mais de seis meses que o governo atual não estava disposto a fazer a transição. Não tenho a menor dúvida disso", completou o presidente do PSDB, para quem Serra estará na dianteira das pesquisas "daqui a pouco".

Em entrevista marcada pelo comando da campanha, o líder do partido criticou o governo ao dizer que a candidatura de Dilma Rousseff (PT) está "agredindo" e montando uma "conspiração" contra os tucanos. Não citou nenhum caso específico da "conspiração". "Não tememos isso. Não conseguirão nada de importante para nos agredir."

Integrantes do PT têm usado denúncia da revista IstoÉ, de que o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza teria sumido com R$ 4 milhões da campanha do PSDB, para atacar os tucanos.

Religião. O presidente do PSDB criticou, mais uma vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por estar, segundo ele, fazendo campanha com recursos públicos a favor de Dilma Rousseff.

Falou da viagem ao Piauí, anteontem, quando Lula disse que a derrota nas urnas de adversários que não apoiaram a prorrogação da CPMF foi uma vingança de Deus. "Ele se considera um Deus. Se não Ele próprio", afirmou Guerra, destacando que o próprio governo traz o tema religião para o debate eleitoral.

Guerra também chamou de "ridícula" a carta-compromisso que Dilma deve assinar se posicionando contra a descriminalização do aborto e o casamento gay e questionou, mais uma vez, a prorrogação da investigação na Polícia Federal sobre as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil.

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