Candidata culpa Serra por boatos sobre Petrobrás

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, insinuou que vêm da parte de seu adversário tucano José Serra os boatos segundo os quais nos próximos dias será publicada uma reportagem sobre corrupção na Petrobrás, o que por três dias seguidos derrubou as ações da estatal na Bolsa de Valores. De acordo com Dilma, Serra tem apelado cada vez mais a métodos infundados.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

"Meu opositor usa de métodos cada vez mais infundados e mais agressivos. Antes tinha dez candidatos. Agora tem dois. Agora, os boatos vão ter de ter origem, né?", afirmou Dilma ao comentar os problemas enfrentados pela Petrobrás nos últimos dias, como a desvalorização seguida dos papéis da empresa.

Visita. As declarações da candidata petista foram feitas ontem, depois de uma visita a uma instituição que cuida de crianças carentes ou abandonadas, em Brasília. "Acho bom vocês lerem os relatórios bancários que estão por aí. Não sei se têm fundamento ou não. Não sou do mercado", disse Dilma.

Ela acrescentou que, por não ser mais do Conselho de Administração da Petrobrás, não sabe o que será feito. Mas disse que os boatos causam prejuízos não só para a estatal, mas para qualquer empresa que for vítima deles.

"Seja a empresa que for, há de se ter cuidados em períodos eleitorais, para esse processo não ocorrer. Cuidado, porque há relatórios - pelos menos apareceu isso na internet, também tem que se comprovar se é verdade ou não - de bancos relatando a possibilidade de uma futura matéria (jornalística) a respeito (do assunto)".

Para Dilma, o Brasil não pode, a cada período eleitoral, conviver com os boatos.

Lembrada de que o jornal O Globo publicou ontem uma reportagem segundo a qual um ex-assessor de Dilma, hoje dirigente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), tem contratos com a Petrobrás, a candidata respondeu: "Aquela matéria é ridícula. Eu quero saber se em algum momento nós questionamos os empresários que foram ministros do governo por ter empresas. Nós questionamos? Pelo que eu saiba, não. Roberto Rodrigues (ex-ministro da Agricultura) e Luiz Fernando Furlan (da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior) tinham empresas e eram ministros do governo. Pelo que eu saiba, todos os governos tiveram empresários ministros."

Luta. Dilma afirmou que não está desanimada por ter de enfrentar o segundo turno das eleições, quando a expectativa era de vencer no primeiro. "Olha para minha cara. Eu não tô, não. Pelo contrário, nunca estive tão animada."

Sobre a forma como vai se comportar agora, Dilma respondeu: "Vou lutar todos os dias, encarar todas". A candidata aproveitou as respostas a respeito dos boatos sobre a Petrobrás para entrar em outro assunto, que tem sido muito falado nos últimos dias: o aborto. "Não se pode criar no País um clima de conflito religioso ou de ódio religioso, porque esse país sempre conviveu com a diversidade religiosa, de crença e de opinião, e é respeitado internacionalmente por sua tolerância." A petista, no entanto, disse que a discussão religiosa é legítima. "Você pode fazer. Só não pode ser o centro de todo debate no Brasil."

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