Candidata nega ligação de jornalista com sua equipe

'Nós não quebramos sigilo fiscal de ninguém e não fizemos dossiê', reagiu Dilma; Lula reclamou de 'versões'

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2010 | 00h00

Diante da divulgação da Polícia Federal de que o jornalista Amaury Ribeiro foi o responsável pela violação de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) negou ontem que existam ligações entre ele e a coordenação de sua campanha eleitoral. Ela destacou ainda que o jornalista fez investigações a partir de um "conflito" entre os tucanos José Serra e Aécio Neves, que disputaram o cargo de presidenciável do PSDB.

O PT e coordenadores da campanha de Dilma vão solicitar formalmente à Polícia Federal a íntegra do inquérito sobre a violação de sigilo. "Qualquer tentativa de colocar isso na minha campanha acho, primeiro, uma injustiça; segundo, uma tentativa de criar eleitoralmente um fato; e terceiro, repudio integralmente. Acho de absoluta má fé. Está claro o depoimento dele (do jornalista) na Polícia Federal", afirmou a candidata ontem.

"Nós não quebramos sigilo fiscal de ninguém e não fizemos dossiê", disse, enfatizando que as violações ocorreram entre setembro e outubro de 2009, quando sequer havia pré-campanha. "O próprio jornalista, em depoimento à Polícia Federal, declarou que fez o trabalho dentro de um conflito entre dois candidatos à Presidência dos tucanos." Segundo ela, não se pode fazer um "salto mortal" entre 2009 e a pré-campanha, iniciada em março de 2010, para buscar vinculações com o episódio.

O coordenador jurídico da campanha de Dilma, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou que o partido não tem e nunca teve ligações com Amaury Ribeiro. Ele não respondeu a questionamentos sobre o fato de o partido ter pago o flat onde Amaury se hospedou em Brasília. "É muito importante vermos o inquérito para checarmos o que ele aponta. Acho muito curioso que na época o jornalista trabalhasse no Estado de Minas", disse.

Apesar de ter mencionado supostas ligações do jornalista com tucanos, a petista afirmou que não fará acusações. "Sugiro que vocês peguem as informações e olhem direitinho, porque entre outubro e março tem dezembro, janeiro e fevereiro."

Em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente Lula reclamou das especulações envolvendo a candidata petista e anunciou que a PF iria trazer novas informações sobre o vazamento. "O problema do Brasil não são os fatos. Os fatos, quando são importantes, precisam ser anunciados. O importante são as versões e as intenções com que muitas vezes se tenta trabalhar o processo de informação", disse.

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