Carnaval 2011: Olinda promove encontro de maracatus

A Cidade Tabajara, em Olinda, promoveu hoje um banho de cultura popular: realizou o 21º encontro de maracatus de baque solto, com a apresentação de 55 agremiações, na arena do Espaço Ilumiara Zumbi, enquanto a 300 metros, na Casa da Rabeca, ocorreu a sétima edição do "Carnaval Mesclado" com afoxés, caboclinhos, maracatus de baque solto e de baque virado e grupos de frevo.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

07 Março 2011 | 18h58

"É um corredor de cultura popular", resumiu Pedro Salustiano, coordenador da Casa da Rabeca, referindo-se ao local. Ali, longe da folia que lota as ladeiras históricas de Olinda, ninguém precisa disputar espaço. Nem quem se apresenta, nem quem usufrui. Iniciado às nove horas, o espetáculo deveria se estender até o início da noite.

O primeiro encontro dos maracatus de baque solto reuniu 12 agremiações e foi instituído pelo Mestre Salustiano, ícone da cultura popular, já falecido. Ele temia pela extinção do folguedo, cujo berço são os engenhos de cana de açúcar da zona da mata norte. Atualmente a Associação estadual dos Maracatus de Baque Solto, presidida pelo seu filho, Manoel Salustiano, registra 110 maracatus de baque solto. "Continua crescendo", assegura ele, ao citar as duas novas agremiações, criadas no ano passado e que estrearam no encontro deste ano: o Leão Vencedor das Flores e o Leão da Floresta de Paudalho.

Entre os que também passaram pela arena do Ilumiara Zumbi, fazendo suas evoluções e cantando suas loas, estão o maracatu de baque solto Piaba de Ouro, criado por Mestre Salustiano, e os mais antigos - o Cambindinha de Araçoiaba, de 1914, e o Cambinda Brasileira de Nazaré da Mata, de 1918.

O primeiro a se apresentar foi o Águia de Ouro, de 1933. Um dos seus caboclos de lança - figura que se tornou um dos símbolos do carnaval pernambucano - Severino Francisco da Silva, 73 anos, se transforma ao encarnar a personagem. Deixa de ser o homem simples, pobre, com poucos dentes na boca, para desempenhar a função de divertir, instigar e preservar a cultura popular. "Me sinto feliz e realizado", afirmou ele, animado com a agenda cheia do Águia de Ouro, que ainda hoje iria se apresentar em outras duas cidades da região metropolitana.

Muito suado sob o sol forte, ele disse nem sentir os 30 quilos da sua fantasia, que chama a atenção pelos chocalhos que carrega nas costas sob a gola - que recobre o corpo do pescoço ao joelho bordada de lantejoulas - e fazem forte som mediante suas evoluções. Com chapéu recoberto de fitas de ráfia, leva na boca uma rosa branca que representa o segredo do caboclo de lança. "Quem sabe não diz", se antecipa a qualquer curiosidade.

Folguedo de origem afro-indígena, o maracatu de baque solto também tem na sua formação os arreiamar (ou caboclos de pena), com chapéus com cerca de mil penas de pavão, as figuras do Mateus, Catirina, a burra, o rei, a rainha, a dama do paço, as baianas.

A orquestra é composta de bombo, tarol, porta (cuíca), ganzá e gonguê. Silencia quando o mestre tira as loas - que abrangem temas desde o descobrimento do Brasil à saudação de políticos - e toca com garra mediante sua ordem, dada por um apito que indica o início e o fim de cada execução.

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