Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Carnaval de rua no Rio atrai milhares de foliões. E problemas

Blocos têm cada vez mais gente, mas a multidão também traz dor de cabeça; veja dicas e horários

Fábio Grellet , O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2012 | 00h06

RIO - Quem gosta de carnaval tem motivos de sobra para aproveitar a folia de rua no Rio: baterias ou bandas afinadas, gente bonita, despesa restrita ao que consumir - não é preciso comprar abadá - e diversão garantida. Mas também há razões para ficar longe dos blocos: aglomerações cada vez maiores, falta de banheiros e risco de furtos. Quem mora nas ruas dos desfiles tem dificuldades para chegar em casa e há chance de a fachada do imóvel ser usada como banheiro.

Em 2011, segundo a prefeitura do Rio, 4,9 milhões de pessoas ocuparam as ruas acompanhando os 424 blocos autorizados a desfilar. Na disputa particular entre Rio e Salvador pelo título de "maior carnaval do mundo", desde 2010 os cariocas dizem superar os baianos, que reúnem cerca de 3 milhões de foliões.

Diante do crescimento da folia nas ruas, revigorada desde 2005, a prefeitura do Rio impôs regras aos foliões. Desde 2010, só desfilam blocos previamente autorizados. Neste ano, 476 se cadastraram e 425 foram autorizados a desfilar - um a mais do que em 2011.

Na tentativa de desafogar a zona sul, que concentrou 1,5 milhão de foliões em 2011, a prefeitura transferiu alguns desfiles para o centro. Essa medida já havia sido adotada em 2009 em relação ao Monobloco, que desde aquele ano trocou a Avenida Atlântica pela Rio Branco. Além do Monobloco e do Cordão da Bola Preta, a avenida também será palco do Bloco da Preta, comandado pela cantora Preta Gil, que reuniu 200 mil foliões na orla de Ipanema em 2011.

Outro ponto do centro que a prefeitura pretende transformar em polo de blocos é a recém-reformada Praça Tiradentes, onde vai desfilar o Toca Rauuulll!, especializado em músicas do roqueiro Raul Seixas. O Aterro do Flamengo, na zona sul, que já recebia a Orquestra Imperial, agora também servirá de cenário para o Sargento Pimenta, dedicado aos Beatles, e para o Bangalafumenga.

Dificuldades. Entidades da sociedade civil temem que a aglomeração destrua os jardins do Aterro, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A prefeitura diz que vai cercar as áreas verdes, medida considerada inócua por moradores. Consultada pela reportagem sobre o risco de destruição dos jardins, a Secretaria Especial de Turismo não se manifestou até a noite de ontem.

Outro problema é o público que urina na rua. No ano passado, até paródia de marchinha foi usada para tentar inibir a prática, sem sucesso. Neste ano, haverá 15 mil banheiros à disposição dos foliões - foram 13 mil em 2011. Quem for flagrado urinando na rua será conduzido à delegacia para registro do flagrante.

Em desfiles realizados no fim de semana passado, 24 pessoas foram detidas por urinar na rua. No carnaval de 2011, 670 foliões foram apanhados. "Mas não tem banheiro para todo mundo e quando um está livre é porque não dá para usá-lo, de tanta sujeira", diz o universitário Thiago Guerra, de 27 anos, que frequenta os blocos há três.

Além disso, outro problema é o risco de furto, facilitado pela aglomeração. "Em 2011, havia acabado de comprar um celular, vim para o Rio e fui furtada no meio do desfile da Banda de Ipanema", lembra a figurinista paulistana Carmem Pereira, de 23 anos. Ela havia deixado o aparelho dentro da bolsa, que ficou aberta enquanto se divertia. "Eu sei que foi distração minha", admite. A polícia recomenda cuidado com bolsas e carteiras, que devem ficar à frente do corpo.

Prós e contras na balança, a maioria dos foliões não tem dúvida: confecciona sua fantasia e segue atrás dos blocos. "É preciso tomar algumas precauções, recorrer ao banheiro de algum bar de vez em quando, mas o carnaval de rua é diversão garantida a um custo baixíssimo", afirma Guerra, que nem pensa em abandonar os blocos. Veja abaixo qual combina com você.

 

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