Carros terão chips em maio em SP

Convênio libera licitação; dispositivo ajudará a fiscalizar multas, evitar roubos e a monitorar tráfego online

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Depois de dez anos de discussões, foi dado ontem o primeiro passo para a instalação de chips de identificação eletrônica nos veículos da cidade de São Paulo. Governo estadual e Prefeitura assinaram o primeiro convênio do Sistema Nacional de Identificação Automática de Veículos (Siniav). A promessa é de que em março seja realizada a licitação para definir a empresa responsável pelo serviço. A instalação dos chips, ou tags, começa em maio. Com isso, São Paulo será a primeira cidade no Brasil com identificação eletrônica de veículos. Quem rodar sem a identificação eletrônica vai pagar multa de R$ 127. O custo de instalação dos tags virá de um fundo municipal (que está sendo regulamentado) com recursos de multas. A instalação e operação dos chips será feita por meio de Parceria Público-Privada (PPP) com a empresa que vencer a licitação. "Os donos de veículos não terão nenhum custo", disse o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Roberto Scaringella. Segundo o presidente da CET, assim que a PPP for criada, os novos veículos vão sair de fábrica com o chip já instalado. Os veículos antigos vão receber o tag gradualmente. "Vamos seguir o calendário anual de licenciamento do Detran." Assim, a cada mês veículos de determinada placa terão de ser levados a postos - ainda a ser definidos - para a instalação dos chips. O tag vai armazenar um número serial, o número da placa, do chassi e o código Renavan. As informações serão lidas cada vez que o veículo passar por uma das 2,5 mil antenas que serão instaladas na cidade, e repassadas para uma central. Além de melhorar a fiscalização de veículos irregulares (um terço da frota de São Paulo roda sem licenciamento, com IPVA atrasado, multas não pagas ou com placas clonadas) e facilitar a localização de veículos furtados, o Siniav será uma importante ferramenta de gestão do trânsito que, se bem utilizada, poderá dar mais fluidez ao tráfego da cidade mais congestionada do País. É que as antenas detectam e repassam em tempo real a localização de cada veículo que passar por esses locais. A CET terá um retrato em tempo real do tráfego. Antes, essas informações demoravam muito mais tempo para serem recolhidas. Desde 1967, a CET faz uma pesquisa, a cada dez anos, sobre a origem e destino dos deslocamentos. Para demonstrar a nova tecnologia, a CET monitorou, das 8 às 9 horas de ontem,o tráfego na Avenida Rebouças, na zona sul, entre as ruas Pedroso de Morais e Joaquim Antunes. Passaram pelo local 37 dos 500 veículos que tinham a identificação eletrônica que estavam sendo estudados. Eles gastaram 286 segundos para percorrer os 820 metros do trecho. A velocidade média foi de 10,32 km/h. "Um dos dados mais importantes é saber onde ocorre a maior parte dos deslocamentos", explicou Scaringella. O governador José Serra (PSDB) disse que vai conversar com as prefeituras de cidade próximas a São Paulo para que elas também adotem o Siniav. "Sem isso, vai haver imigração de veículos para esses locais." Ele garantiu que todas as informações captadas pelas antenas, como o trajeto dos veículos, serão mantidas em sigilo. O coordenador do curso de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia Industrial da USP e doutor em microeletrônica Renato Giacomini disse que, apesar de baixo, existe risco de clonagem e retirada do tag.

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