Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Cenário: Exército tem mapa do crime organizado

Inteligência das Forças Armadas sabe a localização provável de instalações como centros de comando e rotas de fuga usados pelas facções

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2018 | 03h00

A inteligência das Forças Armadas, do Exército principalmente, tem um mapa do crime organizado no Rio, com a localização provável de instalações como centros de comando e rotas de fuga usados pelas facções em constante movimento pelos morros e comunidades.

Há mais que isso, garantem fontes militares ouvidas pelo Estado, e essas informações serão fundamentais nos próximos dez meses, tempo máximo de duração da intervenção na segurança pública do Estado.

O plano vai manter o conceito geral definido em um amplo estudo, montado e aperfeiçoado a partir da tomada do Complexo do Alemão, em 2010. O problema é a curta duração do processo, que deve chegar ao fim quando terminar a administração do presidente Michel Temer, em 31 de dezembro - ou mesmo antes, diante de condições que podem ser apenas de conveniência política.

A ideia original, em relação à PM, e com execução estimada em até seis anos, passa pela reorganização da estrutura, incluindo aí o reequipamento, a avaliação do pessoal, qualificação, treinamento e recomposição dos quadros mediante novos padrões.

Um perfil de salários dignos, associado a um quadro de progressão na carreira, acompanharia o programa. A intervenção na segurança carioca não é uma operação militar, com tropa e blindados nas ruas, "um arremedo de show ruim", de acordo com um oficial. Ele lembra que o uso de pessoal em tarefas conjuntas com a polícia está em curso, por meio de um mandato de 2017 e que se poderá se estender até o fim do ano.

Em determinados momentos foram mobilizados até 3,5 mil combatentes do Exército, Marinha e Aeronáutica. O que acontece agora é diferente: é uma ocupação das posições na administração e controle. O decreto é claro ao explicitar que o interventor, general Walter Braga Netto, poderá requisitar "recursos financeiros, tecnológicos, estruturais e humanos do Estado do Rio de Janeiro necessários à consecução do objetivo".

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