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Centenas pulam catracas no Rio em ato contra aumento das passagens

Felipe Werneck - O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2014 | 22h 15

Protesto, organizado pelo movimento Passe Livre no Rio, foi pacífico

RIO - Aos gritos de "Ei, Fifa, paga a minha tarifa", centenas de pessoas pularam as roletas da estação ferroviária Central do Brasil na noite desta terça-feira, 28, durante ato contra o aumento das passagens organizado pelo movimento Passe Livre do Rio. Policiais militares acompanharam de perto, sem interferir. O protesto foi pacífico.

Black blocs organizavam filas de calote dentro da estação, convencendo passageiros a deixar os guichês superlotados da Supervia, concessionária responsável pelo acidente que parou a cidade há uma semana. Grande parte aderiu. Rapidamente a enorme fila de pagantes se desfez e muitos seguiram a orientação da multidão eufórica: "Pula que é de graça!"

Além dos cerca de 300 manifestantes que chegaram à Central após passeata pela Avenida Presidente Vargas, no centro, pelos menos mais 150 pessoas pularam ou passaram por baixo das roletas. As catracas da principal estação ferroviária do Rio foram tomadas pouco depois das 19h, quando o movimento era intenso.

Algumas pessoas não entendiam o que estava acontecendo. Uma mulher chegou a perguntar ao major que comandava os policiais se podia mesmo passar sem pagar. "Aí é com a senhora", respondeu o policial. Ela se afastou um pouco dele e pulou. Nem precisava. Passageiros pulavam na frente dos policiais. "Não vai ter Copa nem aumento", gritavam em coro os manifestantes, do outro lado das roletas. Seguranças da Supervia desistiram de tentar controlar a multidão. O major afirmou que a PM não iria interferir: "Não fomos solicitados pela concessionária." Só pagou quem fez muita questão.

"Não é nem pelos R$ 2,90 da passagem, mas pela sacanagem que fazem com o trabalhador", disse, após pular a roleta, o funcionário público Fernando Antônio dos Santos, que aderiu ao protesto. Ele mora em Realengo, na zona oeste, e trabalha no centro. "Aqui ninguém respeita a gente. A passagem não é barata e o trem não tem ar-condicionado. Quando quebra, além de não avisar nada ainda ficam rindo", disse Santos, referindo-se ao secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, fotografado dando uma gargalhada durante vistoria realizada após o acidente da semana passada.

Fogo. Ao deixar a estação, por volta das 20h, os manifestantes queimaram uma roleta de papelão na calçada. "PQP, a Supervia é a vergonha do Brasil!", gritavam. Um grupo seguiu em direção à Rua Uruguaiana e foi acompanhado por dezenas de policiais. Está previsto para fevereiro um aumento das passagens de trem no Rio, que hoje custam R$ 2,90.

No início do ato, ainda na Presidente Vargas, o manifestante Eron Melo, que costuma se vestir de Batman em protestos no Rio, foi detido e liberado em seguida após ser obrigado a tirar a máscara preta. "Este é o País da Copa. Usar máscara é proibido por uma lei absurda. Todos sabem a minha identidade. Sou um manifestante pacífico."