Chefe da Câmara renuncia após ameaças em Analândia

O presidente da Câmara Municipal de Analândia, Leandro Eduardo Santarpio (DEM), renunciou ontem ao cargo e ao mandato de vereador, ampliando a crise política na cidade paulista. Ele disse que se afastava para preservar sua integridade e de sua família.

José Maria Tomazela SOROCABA, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Na semana passada, Santarpio denunciou ao Estado estar sendo ameaçado pelo grupo ligado à administração municipal. Ele cobrava o esclarecimento da morte do vereador Evaldo José Nalin (PSDB), executado com sete tiros dentro de casa por dois homens, que chegaram numa moto, no último dia 10. O presidente da Câmara também havia protocolado no Ministério Público um pedido de investigação nas contas da prefeitura.

Na sessão de segunda-feira, o vereador ocupou a tribuna para denunciar, em tom de desabafo, que as ameaças continuavam. "Não estou aguentando. São ligações anônimas, cartinhas, recados mandados por outros. Agem no psicológico e no emocional."

Na semana passada, uma bomba caseira explodiu perto de onde trabalhava. Ontem, ele disse que preferia não falar sobre os motivos da saída. "Se falo mais, não vão deixar minha família em paz."

Vereador em segundo mandato, casado, pai de um filho de 2 anos, Santarpio é servidor concursado e vai se afastar também da função pública. "Aqui tem uma política suja, rasteira e sem escrúpulos. Vou fazer outra coisa e só volto quando esse quadro mudar."

Para o diretor Vanderlei Vivaldini Junior, da Associação os Amigos de Analândia (Amasa), com a saída do vereador, a administração passar a ter "controle total" sobre o Legislativo. "Depois da execução do vereador Nalin, a oposição tem outra grande baixa com a saída do Santarpio, pois os dois vereadores que assumiram são da situação."

A vaga será ocupada pelo suplente João Sodelli (DEM), ligado ao grupo do ex-prefeito e atual chefe de gabinete José Roberto Perin. De acordo com a Amasa, Perin controlaria a política local há 18 anos, desde seu primeiro mandato.

A Polícia Civil e o Ministério Público Estadual investigam o assassinato de Nalin, mas até ontem ninguém tinha sido preso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.