Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Chegada de papa Francisco é marcada por quebra de protocolo, entusiasmo de fiéis e protestos

Ao desfilar pelas ruas do centro carioca, o pontífice argentino ignorou as regras de segurança e cumprimentou de perto centenas de fiéis

O Estado de S. Paulo,

22 Julho 2013 | 20h12

Esperado por autoridades e milhares de fiéis, o papa Francisco desembarcou no Rio de Janeiro na tarde desta segunda-feira, 22, para a Jornada Mundial da Juventude. O avião com a comitiva papal pousou no Aeroporto Antônio Carlos Jobim, o Galeão, pouco antes das 16h. É a primeira viagem do pontífice argentino depois de sua eleição, em março deste ano.

 

O papa Francisco foi recebido pela presidente Dilma Rousseff com flores. O líder da Igreja Católica ainda cumprimentou o vice-presidente Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), além de outras autoridades civis e religiosas. 

 

Quebra de protocolo. Em um Fiat Idea cinza, o papa seguiu do aeroporto até a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. No banco de trás, o pontífice ignorou as recomendações de segurança e abriu o vidro do automóvel. Policiais e agentes de trânsito tentavam afastar as pessoas para permitira a passagem de Francisco nas ruas centrais da cidade.

 

Mesmo quando pessoas se aproximaram do carro para cumprimentar o papa na Avenida Presidente Vargas, ele manteve o vidro da janela aberta e abençoou vários admiradores. A proximidade entre o pontífice e os peregrinos deu trabalho aos sete seguranças que acompanhavam o veículo pelo lado de fora. Um deles chegou a levar um bebê de colo dos braços da mãe até Francisco, que beijou a criança. 

 

Durante o percurso, a multidão interrompeu a passagem do papa por alguns minutos. Só com o esforço da equipe de segurança o veículo conseguiu se deslocar novamente. Segundo o secretário municipal de Transportes, Carlos Osório, a prefeitura não sabia que o papa Francisco passaria pela Avenida Presidente Vargas. "Foi uma decisão da Polícia Federal e não sabíamos sequer se o papa iria de helicóptero ou de carro", afirmou.

 

Na Catedral Metropolitana do Rio, Francisco foi transferido para o papamóvel, onde permaneceu com os vidros abertos. A confusão na saída do pontífice era tamanha que alguns dos fiéis reclamaram de falta de ar nos arredores da igreja. De pé no papamóvel, Francisco cumprimentou as pessoas que aguardavam nas ruas a sua passagem. 

 

Depois de chegar ao próximo ponto de seu percurso, o Aeroporto Santos Dumont, a comitiva do líder católico foi levada em dois helicópteros ao Palácio da Guanabara, sede do governo estadual do Rio. Nos arredores do Palácio, cerca de mil manifestantes protestaram a favor do Estado laico, pela saída do governador do Rio Sérgio Cabral e contra o posicionamento da Igreja Católica em relação à homossexualidade.

 

Força dos jovens. Oito ministros esperavam a chegada do papa na sede do Executivo fluminense: Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Marta Suplicy (Cultura), Paulo Bernardo (Comunicações, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Helena Chagas (Comunicação Social) e Leônidas Cristino (Secretaria Nacional dos Portos). 

 

Estavam presentes ainda cinco governadores brasileiros, além de Cabral (PMDB), governador do Estado do Rio: Agnelo Queiroz (DF), Jaques Wagner (BA), Teotonio Vilella Filho (AL), Simão jatene (PA) e José Anchieta Júnior (RR). Outra autoridade que recepcionou o papa na sede do governo foi o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli. Ele sempre foi um dos políticos mais próximos do cardeal Jorge Mario Bergoglio. 

 

Em seu discurso no Palácio da Guanabara, a presidente Dilma Rousseff ressaltou a importância de receber um papa nascido na vizinha Argentina e preocupado com as questões da América Latina. "Lutamos contra um inimigo comum: a desigualdade, em todas as suas formas", afirmou a presidente, que ainda mencionou o papel das pastorais católicas no combate à pobreza.

 

Dilma também citou os protestos que tomaram as ruas do País a partir de junho. Segundo ela, a fé de tornar a realidade cada vez melhor faz parte do espírito brasileiro. "Esse foi o sentimento que fez milhares de jovens para ir às ruas. Democracia gera o desejo de mais democracia. Inclusão social gera cobrança por mais inclusão social", disse.

 

Em português, o papa se esforçou para passar uma mensagem com referências culturais brasileiras. "O motivo principal da minha presença no Brasil, como sabido, transcende as suas fronteiras. Vim para a Jornada Mundial da Juventude para encontrar os jovens que vieram de todo o mundo, atraídos pelos braços abertos do Cristo Redentor. Eles querem agasalhar-se no seu abraço para, junto de seu Coração, ouvir de novo o seu potente e claro chamado. Ide e fazei discípulos entre todas as nações", afirmou Francisco.

 

Após os pronunciamentos, o pontífice seguiu para uma reunião privada com a presidente Dilma Rousseff. De lá Francisco segue para o Centro de Estudos do Sumaré, na zona norte carioca, onde ficará hospedado. Na terça-feira, a agenda do papa é interna e, na quarta-feira, ele visitará Aparecida do Norte, no interior de São Paulo. 

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