Chuva mata três; Rio estuda rodízio

Crianças foram soterradas em favela; se túnel não for reaberto até 4.ª, prefeitura vai restringir circulação de frota

Pedro Dantas e Talita Figueiredo, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 Outubro 2007 | 00h00

Apesar de a chuva ter dado uma trégua ontem no Rio, três crianças morreram vítimas do desabamento de uma casa que não resistiu ao deslizamento de terra e de um muro na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense. Desde a noite de terça-feira, quando o temporal começou, seis pessoas já morreram no Estado. O caos no trânsito provocado pela interdição do Túnel Rebouças, principal ligação entre a zonas norte e sul, pode levar o Rio a adotar o esquema de rodízio de veículos, nos moldes de São Paulo, a partir da próxima quinta-feira. "Caso volte a chover no fim de semana ou o trabalho de remoção da terra do Túnel Rebouças não seja encerrado até quarta-feira, vamos ter de adotar medidas mais radicais", afirmou o secretário municipal de Transportes do Rio, Arolde Oliveira. O túnel permanece fechado desde a madrugada de terça-feira após um deslizamento de terra provocado durante as intensas chuvas que castigaram a capital fluminense. De acordo com Oliveira, o rodízio seria adotado após um decreto de emergência do prefeito Cesar Maia. Ele avalia que a Prefeitura poderia determinar a restrição de circulação para veículos com dois finais de placa diferente e diminuir de 10% a 20% a frota na cidade. MORTES E TRÁFICO Bruno Costa da Silveira, de 2 anos, Eric Freitas Ferreira e Vitor Hugo Freitas Rocha, ambos de 3 anos, brincavam sob vigilância do irmão de Bruno, Felipe Costa da Silveira, de 14, próximo da casa de número 19 da Rua São Bento, no alto da Favela Nova Brasília. Por volta das 10h30 de ontem, houve um deslizamento de terra que derrubou um muro e caiu sobre a casa, soterrando as três crianças. Felipe sofreu apenas escoriações e foi levado para o Hospital Geral de Bonsucesso. Uma equipe do Estado esteve no complexo do Alemão na tentativa de registrar a tragédia, mas foi impedida por oito traficantes armados com fuzis e pistolas. O caso ocorreu a 100 metros de uma esquina onde estavam policiais da Força Nacional. Outras equipes de reportagem foram abordadas e todos acabaram obrigados a sair da favela de marcha a ré. A Força Nacional mantém uma ocupação permanente na região do Complexo do Alemão, desde 15 de junho.

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