Chuvas matam um em Minas e outro no Rio

Deslizamentos vitimaram um taxista mineiro e um homem que tirava os pertences de casa no RJ

Solange Spigliatti, estadão.com.br

03 Janeiro 2012 | 11h09

SÃO PAULO - A chuva que atinge o Rio de Janeiro no últimos dias causou a morte de um homem no fim da noite desta segunda-feira, 2, em Laje de Muriaé, no noroeste fluminense. Na cidade, duas mil pessoas estão desalojadas e outras 500 estão desabrigadas, de acordo com dados da prefeitura.

Segundo a prefeitura, Walter Abreu de Andrade, de aproximadamente 55 anos, estava retirando seus pertences da inundação por volta das 23 horas quando a residência desabou, no bairro Chácara. A chuva provocou a cheia do Rio Muriaé, que deixou ao menos quatro bairros ilhados, entre eles o Centro, onde está localizada a prefeitura municipal.

Estado de vigilância. O município do Rio de Janeiro retornou ao Estágio de Vigilância às 8h40 desta terça-feira, 3, já que a Zona de Convergência do Atlântico Sul, que deixava o tempo instável na cidade, se deslocou para o Espírito Santo, segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio. Com isso, a previsão é de chuva fraca isolada para o período da tarde. O município estava em Estágio de Atenção desde as 21h20 de sábado, 31 de dezembro de 2011.

Minas Gerais. Corpo de Bombeiros corrigiu no começo da manhã desta terça-feira a informação sobre o segundo corpo encontrado no deslizamento de terra que atingiu uma rodoviária em Ouro Preto, em Minas, na madrugada de hoje.

Segundo os bombeiros, apenas o corpo de um taxista, ainda não identificado, que estava dentro de um veículo, foi localizado nesta manhã e ainda não foi resgatado. A outra vítima estaria desaparecida e pode ter sido soterrada no local.

As buscas a um outro taxi, que poderia estar embaixo da terra, continuam. Um desencontro de informações, segundo os bombeiros, provocaram o erro. Ao contrário do informado anteriormente, o corpo do taxista localizado ainda não foi resgatado por conta do risco de novos deslizamentos, segundo os bombeiros. Desde o início das chuvas no Estado, seis pessoas morreram e 52 cidades estão em situação de emergência. Ao todo, 2,1 milhões de pessoas foram prejudicadas pelas enchentes e tempestades, que deixaram 9.365 pessoas estão desalojadas e outras 404 desabrigadas.

Nesta terça, a presidente Dilma Rousseff telefonou para o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), para oferecer ajuda humanitária e financeira ao governo mineiro.

Estradas. A chuva que persiste em Minas Gerais também provocou contratempos nas rodovias. A pista sul (sentido São Paulo) da Rodovia Fernão Dias estava bloqueada no km 577, entre as regiões de Carmópolis de Minas e Itaguara, devido às chuvas contínuas que provocaram a cheia do Rio Pará, atingindo as vigas da Ponte do sentido sul, mais baixa que a do sentido norte.

As águas não atingiram a pista, mas o tráfego da pista sul está sendo desviado pela faixa 1 da pista norte (sentido Belo Horizonte) para garantir a segurança dos usuários. Na pista norte, o tráfego segue pela faixa 2. Não há retenção no local.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, por volta das 8 horas foram liberados os trechos nos kms 617 e 628 da Rodovia BR-040, que foram interditados por conta das fortes chuvas. O trânsito estava lento na região e o congestionamento chegava a quatro quilômetros nos dois sentidos. Os trechos poderão ser fechados novamente se a chuva continuar, segundo a PRF.

As chuvas que castigam o Estado de Minas Gerais já deixaram 52 cidades em situação de emergência desde outubro, de acordo com o último boletim da Defesa Civil. Ontem, mais cinco cidades (Itabirito, Brumadinho, Congonhas, Raul Soares e Guiricema) decretaram situação de emergência por conta das chuvas.

O município de Itabirito sofreu com inundações causadas pelo transbordamento do Rio Itabirito, atingindo a área central e os bairros São Geraldo e Lourdes. A cidade de Brumadinho também está na mesma situação. O transbordamento do Rio Paraopeba atingiu várias localidades do município.

Em Raul Soares, o transbordamento dos rios Santana e Matipó e do córrego de Ubá, que cortam o município, bem como o grande volume de precipitações ocorridas nos últimos dias, deixou estragos e prejuízos na cidade. Em Congonhas, a chuva contribuiu para elevação dos níveis dos rios Maranhão e Santo Antônio, que transbordaram e ocasionaram inundações em grande parte do município.

A última cidade a decretar situação de emergência é Guiricema, por conta da elevação do nível do Rio Bagres, que transbordou atingindo as áreas urbana e rural, deixando residências e estradas rurais danificadas e prejudicando o tráfego de pessoas e veículos.

Balanço. No total, 108 municípios foram atingidos pelas tempestades durante o período, afetando 2,1 milhões de pessoas. Destas, 9.365 pessoas estão desalojadas e outras 404 estão desabrigadas. Por conta das chuvas, quatro pessoas morreram desde outubro.

Outras duas vítimas fatais, ainda não confirmadas, podem elevar o número de mortes no Estado. Segundo a Defesa Civil estadual, um soterramento atingiu a rodoviária de Ouro Preto, que desabou, na madrugada de hoje. Dois táxis também foram atingidos, assim como os motoristas, que ainda não foram socorridos, de acordo com a Defesa Civil.

Texto atualizado às 13h54 para acréscimo de informações 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.