HÉLVIO ROMERO
HÉLVIO ROMERO

Cidades brasileiras com IDH alto têm mais violência no trânsito

Brasília e Curitiba possuem taxas mais elevadas entre municípios mais populosos; especialistas cobram educação dos motoristas;

Edgar Maciel, O Estado de S. Paulo

30 Dezembro 2014 | 06h00

SÃO PAULO - As cidades com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, Brasília (0,824) e Curitiba (0,823), possuem um das taxas mais altas de violência no trânsito entre os 10 municípios mais populosos do País. A situação é oposta a tendência mundial, onde os países mais desenvolvidos e ricos têm menos acidentes e mortes de trânsito. Os dados exclusivos obtidos pelo Estado foram divulgados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, que credita o problema à falta de investimento em educação no trânsito.

A capital federal, que possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil (R$ 63 milhões), registrou 20,9 mortes a cada 100 mil habitantes em 2012. Curitiba, por sua vez, teve 20 mortes. Ambas estão abaixo da média nacional, de 23,6 óbitos, mas por estarem no topo da lista de desenvolvimento humano do País deveriam, em tese, ter número mais reduzidos de violência no trânsito. Chile e Argentina, por exemplo, tem taxas menores – 12,3 e 12,6, respectivamente. O problema brasileiro, segundo especialistas, é uma questão cultural.

“Países em desenvolvimento como o Brasil não seguem a mesma lógica mundial. Com um crescimento econômico mais acelerado há uma tendência de um número elevado de acidentes, como em Brasília e Curitiba, mesmo com bons índices sociais”, explicou Paulo Guimarães, diretor técnico do Observatório. De acordo com o diretor, no caso do Brasil cidades desenvolvidas não são sinônimo de segurança no trânsito. “Para além do desenvolvimento há um problema de educação no trânsito, que precisa de tempo para apresentar resultados que reduzam o número de mortes”, afirmou.

Segundo a pesquisa, há capitais, no entanto, que já apresentam uma evolução neste problema. Porto Alegre (11,7) e São Paulo (11,8) têm a menor taxa de mortes entre as 10 principais capitais brasileiras e possuem IDHs considerados elevados: 0,805. “São duas capitais que investem pesado na questão de segurança do trânsito há anos e, por isso, têm índices que se assemelham a média mundial”, explicou Guimarães.

Mortes.A pesquisa feita pelo observatório também revela um crescimento do número de mortes em decorrência de acidentes no Brasil. De 2001 a 2012 as ocorrências aumentaram quase 50%, somando 453.779 vítimas. Em 2012, foram 45,7 mil mortes, o que representa um óbito a cada 12 minutos.

A região que lidera o ranking de óbitos, em números absolutos, é a Sudeste, com 16,1 mil vítimas. Já na comparação a cada 100 mil habitantes, o cenário é diferente: o Centro-Oeste registra a maior taxa, com 31,8 óbitos, seguido pelo Sul (27,6), Nordeste (25,1), Norte (23,3) e Sudeste (19,8).

Os motociclistas são responsáveis por mais de um terço (36,2%) dos óbitos no Brasil e e 55% dos feridos em acidentes de trânsito.

O número absoluto de feridos em acidentes viários no Brasil, entre 2001 e 2012, aumentou em ritmo muito mais acelerado que o de mortos. Foram 116.065 feridos em 2001 e 177.487 em 2012, um aumento de 52,2%. No período todo, perto de 1,6 milhão de pessoas precisaram ser internadas por mais de 24 horas após colisões ou atropelamentos.

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