Cidades médias aumentaram o poder de atração

De acordo com o IBGE, alto custo de vida e violência têm afastado pessoas das regiões metropolitanas do Brasil

Wilson Tosta / RIO, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2011 | 00h00

O IBGE constatou que, na última década, cidades médias, localizadas basicamente ao longo de rodovias, ganharam mais habitantes do que as capitais das nove regiões metropolitanas, que anteriormente puxavam o avanço populacional.

Turbinados por "atividades econômicas complexas, que articulam atividades agrícola e industrial diversificadas", esses eixos de crescimento populacional se destacam na pesquisa Reflexões sobre os Deslocamentos Populacionais no Brasil, divulgada ontem. Um ponto de forte concentração é denominado no trabalho "megaespaço de São Paulo", com a aglomeração principal em torno da capital e de outras cinco cidades menores - Campinas, Jundiaí, Sorocaba, Santos e São José dos Campos.

São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades brasileiras, formam, ao longo da BR 116, uma importante linha de expansão da população, onde também têm destaque as aglomerações formadas em torno de São José dos Campos e de Volta Redonda/Barra Mansa (sul fluminense).

"Ainda em São Paulo, verifica-se um eixo de crescimento ao longo da BR-101, onde municípios formam a aglomeração Santista, alcançam a Costa Verde no Rio de Janeiro, englobam a metrópole carioca e os municípios da Região dos Lagos até Macaé (RJ)", diz o texto.

O IBGE identificou ainda outros eixos - e também núcleos - de forte crescimento populacional. Foi o caso de municípios das aglomerações urbanas em torno de capitais e cidades grandes e médias ao longo da BR-101, do Espírito Santo ao Maranhão.

No Sul, a BR-116 organizou um eixo a partir da aglomeração urbana de Porto Alegre, com destaque para Novo Hamburgo, São Leopoldo e Caxias do Sul.

Atração. Para um dos organizadores do trabalho do IBGE, Antônio Tadeu de Oliveira, as capitais perderam atratividade. "O custo de vida nelas é mais alto, tem violência", disse.

A comparação dos números de crescimento populacional dos municípios com os de variação da renda domiciliar per capita, feita pelo Estado, mostra uma correlação relevante entre o aumento dos rendimentos e o número de habitantes nos últimos dez anos. Com exceções, prefeituras com mais ganhos médios reais (acima da inflação medida pelo INPC) receberam mais moradores de 2000 a 2010.

Em 58 de 62 cidades dos principais eixos e núcleos de crescimento houve aumento de população, e em apenas uma houve queda de renda de 2000 a 2010. Em 62,29% dos municípios (38 em 62) a populacional subiu acima da expansão nacional (12,48% de 2000 a 2010). Um volume idêntico de municípios (38 em 62) registrou aumento de renda domiciliar per capita acima da nacional (de 14,27%) no decênio, embora os municípios não sejam sempre os mesmos. Em Macaé (RJ), por exemplo, onde se concentram atividades de exploração de petróleo da Bacia de Campos, o aumento real de rendimentos domiciliares per capita foi de 21,56% e a população subiu 57,14% . Em Caruaru (PE), a população cresceu 24,31% e a renda 19%.

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