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Cinegrafista é internado após ser atingido por bomba em protesto no Rio

Fábio Grellet - O Estado de S. Paulo

06 Fevereiro 2014 | 22h 55

Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, foi socorrido por policiais e levado ao Hospital Souza Aguiar, passou por uma tomografia, que constatou afundamento de crânio; estado é grave

Atualizado às 08h31

Um protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa de ônibus municipal terminou em confronto entre policiais militares e ativistas na estação Central do Brasil, no centro do Rio,  na noite desta quinta-feira, 6. Sete pessoas ficaram feridas, entre elas um cinegrafista da Band, internado em estado grave. Foram detidas 28 pessoas e encaminhadas à 19.ª Delegacia de Polícia (Tijuca), na zona norte.

O cinegrafista Santiago Andrade estava a poucos metros da estação quando foi ferido na cabeça por uma bomba. O comando da PM afirma que viu o artefato partir de manifestantes que estavam próximos da vítima; um cinegrafista da GloboNews que estava no local, no entanto, diz que a bomba foi lançada pela polícia. A informação foi dada no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Segundo a Band, Andrade perdeu muito sangue e desmaiou.

Socorrido por policiais e levado ao Hospital Souza Aguiar, passou por uma tomografia, que constatou afundamento de crânio. Ele foi submetido a uma cirurgia e, até a noite de ontem, seu estado era considerado grave, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Os demais feridos foram levados para hospitais municipais.

O ato começou ao redor da Igreja da Candelária, por volta das 17h30. UmSantiago Andrade, da TV Bandeirantes, foi socorrido por policiais e levado ao Hospital Souza Aguiar, passou por uma tomografia, que constatou afundamento de crânio; estado é gravea hora depois, cerca de 400 manifestantes saíram em passeata pela Avenida Presidente Vargas rumo à Central do Brasil. No caminho, aos gritos de “não vai ter Copa”, dezenas de ativistas mascarados promoveram momentos de correria e tentaram agredir outro cinegrafista, acusado de ser PM. 

Quando chegaram à Central do Brasil, os manifestantes subiram nas roletas e incentivaram os passageiros a passar por elas sem pagar. Até então, os PMs que acompanhavam a manifestação não interferiram.

Nas duas manifestações mais recentes convocadas também contra o aumento das passagens (que vão de R$ 2,75 para R$ 3 amanhã), os ativistas haviam agido da mesma forma. No entanto, nada foi quebrado nem houve confrontos entre policiais e ativistas. Ontem, porém, um grupo arrancou uma roleta enquanto outro quebrava vidros de uma loja do saguão. 

Nesse momento, os policiais militares avançaram sobre os manifestantes, usando cassetetes. A maioria dos ativistas pulou as catracas novamente e fugiu para a rua. Em seguida, um grupo tentou voltar ao saguão, e a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo. Embora o pé direito do prédio seja alto, o gás se espalhou rapidamente e centenas de passageiros e ativistas correram para a rua.

Os confrontos se espalharam pelas imediações do prédio da Central do Brasil, onde também funciona a Secretaria Estadual de Segurança, e só foram controlados cerca de uma hora depois. O comércio fechou e a Avenida Presidente Vargas ficou interditada no sentido zona norte. Passageiros procuravam abrigo, tossindo após inalar o gás. Ao longo da avenida, pelo menos cinco pontos de ônibus foram destruídos e dezenas de sacos de lixo, incendiados.