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Cirurgia para colocar silicone cresce 30% a 2 meses dos desfiles

Roberta Pennafort - O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2014 | 02h 01

Colocação de implantes nos seios e nas nádegas e lipoaspiração são os procedimentos mais procurados

RIO - Magrinha e baixinha, a fisiculturista pernambucana Gabriela Bayerlein, de 33 anos, 1,58 metro e 54 quilos, nunca se sentiu incomodada por ter seios pequenos. Mas, desde que foi convidada para ser rainha de bateria da escola de samba carioca Renascer de Jacarepaguá, ela se convenceu: tinha de colocar silicone para se destacar na Marquês de Sapucaí.

Foram 305 mililitros em cada seio. “Eu sempre relutei, não queria ficar artificial. Em 15 dias me decidi e, desde que fiz a cirurgia, em dezembro, me apaixonei, fiquei muito mais bonita”, conta Gabriela, que participa de competições como “fitness model” e está em quinto lugar no ranking mundial.

Mesmo entre as mulheres que não participam dos desfiles, a busca por procedimentos como colocação de implantes – nos seios e nas nádegas – e lipoaspiração cresceu nos meses que antecedem o verão e o carnaval.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, tradicionalmente o mês mais disputado nos centros cirúrgicos ainda é julho, por ser período de férias e mais frio, o que torna o pós-operatório mais confortável. O período entre a segunda quinzena de dezembro e o meio de janeiro, entretanto, tem despontado: o movimento sobe 30% em relação à “baixa temporada”.

Prazos para sambar. No caso da lipo, um procedimento mais simples, em duas semanas já dá para sambar. Mas às pacientes que colocam silicone é recomendado um período de recuperação de três meses. “Em vez de viajar para a praia, as pessoas estão preferindo usar o dinheiro para a cirurgia, e aproveitam o período de descanso para isso”, diz o presidente da SBCP, João de Moraes Prado Neto.

No caso de Gabriela Bayerlein, o repouso não foi respeitado, por causa dos ensaios da escola. Ela nota os novos olhares. “O corpo fica mais feminino. A escola vai homenagear o cartunista Lan e por isso procurou uma mulher com tipo bem brasileiro.” Curiosamente, o cartunista é conhecido por desenhar mulatas de quadris generosos, e Gabriela é loura e tem músculos definidos.

Presidente da Silimed, fornecedora de próteses de silicone para todo o Brasil e mais 70 países, Gabriel Robert calcula que a demanda aumente em quase 50% nos meses de novembro e dezembro. Ele disse que as brasileiras têm preferido tamanhos de implantes cada vez maiores. “A venda de prótese de glúteo vem crescendo bastante: 90% nos últimos dez anos. As técnicas estão se aprimorando, e as pessoas vêm perdendo o medo de fazer a cirurgia.”

Parcelamento. Para a classe média, outro fator que puxa a cirurgia para dezembro e janeiro é o pagamento do décimo terceiro salário. Em clínicas mais acessíveis, é possível parcelar em até dois anos o serviço. A colocação de prótese de silicone, no Rio, custa por volta de R$ 10 mil, e a lipoaspiração, R$ 8 mil.

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