Ciúme foi motivo de chacina na Baixada Fluminense, diz testemunha

Taxista que escapou ileso é casado com ex-namorada de traficante apontado como autor do crime

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2010 | 15h58

 

 

RIO - O ciúme foi a principal motivação da chacina que matou cinco pessoas na Rua Cruz da Fé, no bairro da Posse, na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O taxista U. , de 32 anos, reconheceu na manhã de hoje o traficante Vinícius Anselmo de Araújo da Luz como o autor dos disparos.

 

Segundo ele, este foi o segundo atentado que ele sofreu desde que se casou com A.P., ex-namorada do traficante com quem já tem um filho. Alvo dos tiros, ele prestou depoimento na 64ª Delegacia de Polícia de São João de Meriti, que apura o caso e contou que conseguiu fugir ileso.

 

Além de Vinícius, ele reconheceu Renato Ramos da Fonseca e Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Bacalhau, chefe do tráfico no Morro do Chapadão, entre os invasores da festa. A Polícia Civil pretende pedir a prisão dos três ainda hoje.

 

O taxista e o traficante se conheciam desde a adolescência em Vila Tiradentes, na cidade de São João de Meriti. Após sair da Marinha, Vinícius ingressou no tráfico e há três anos ele foi preso. O taxista começou o relacionamento com a namorada do traficante quando ele estava na prisão. Ao sair da cadeia, ele avisou por meios de amigos que mataria o casal. "Ele nunca aceitou a nossa relação e ainda é apaixonado por ela. Em dezembro do ano passado, durante uma festa do casamento do meu irmão, ele tentou me matar", contou U.

 

Os mortos foram identificados como Rosilene Nascimento de Oliveira, 32, Thiago da Silva Santos, 24, Waldemir de Oliveira de Jesus, 16, Marcos Otávio Barbosa da Silva, 16, e Gilson Alves de Lima, 42.

 

A aniversariante Cátia Silva Souza, de 32 anos, perdeu o filho Marcos e o filho de criação Waldemir. Muito abalada, ela reclamava no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu da demora na liberação dos corpos. "Eles trabalhavam como cabos eleitorais e estudavam. Nenhuma investigação vai trazer os dois de volta. Eu posso dizer que não convidei nenhum bandido para a festa e até agora não entendo o que aconteceu", lamentou. Na delegacia, U. contou que foi na festa porque era amigo de infância de Cátia.

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