CNBB manifesta preocupação com ''momento político''

Por meio de nota, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestou-se "preocupada com o momento político na sua relação com a religião". E acrescentou: "Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente."

João Domingos, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2010 | 00h00

A manifestação teve endereço certo: o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que tem pregado o voto contrário à candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, e um debate sobre o aborto que tomou conta das campanhas dos dois candidatos à Presidência.

"Dos males, o menor", tem dito dom Luiz Gonzaga ao pregar o voto contrário a Dilma que, segundo ele, apoia o aborto. Guarulhos tem 1,3 milhão de habitantes.

O bispo tem usado suas missas para acusar Dilma e o PT de terem incluído em seu programa de governo a defesa do aborto. Para o secretário executivo da Comissão Justiça e Paz, Daniel Veitel, Dilma Rousseff foi a única candidata que se declarou claramente a favor da vida.

"O José Serra não tem uma posição clara", criticou o secretario executivo da comisssão. Veitel lembrou ainda que a CNBB não impôs veto a ninguém nas eleições.

Ele também afirmou que alguns grupos continuam induzindo erroneamente os fiéis a acreditar nisso.

Na nota, a Comissão Brasileira Justiça e Paz diz: "Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial".

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