Com ''guerra santa'' candidatos definem o tom da reta final

Nem o mais visionário político do País imaginaria no início da campanha que o tema central da disputa presidencial envolveria religião. O impressionante movimento dos eleitores cristãos, rejeitando qualquer candidatura que imaginem ser defensora do aborto, ainda precisará ser estudado e explorado por especialistas para ser compreendido. Mas a verdade é uma só: o segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra já está absolutamente dominado por essa discussão.

Análise: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Ontem, na volta do horário de propaganda eleitoral, o tema se defini u como principal ponto da discussão entre os candidatos.

Com pouco mais de três semanas até a escolha do próximo presidente e com peso para influenciar no resultado, essa "guerra santa, provocada pela discussão em torno da legalização do aborto, será o centro da disputa.

A abordagem feita por cada candidato refletiu a surpresa provocada pela adesão em massa desse voto cristão à candidatura de Marina Silva. Se não foi suficiente para garantir sua vitória, essa força freou as chances de Dilma se eleger no primeiro turno

A petista, principal prejudicada pela nova variável eleitoral, passou o primeiro programa na defensiva. Disse e repetiu quantas vezes pôde que era a favor da vida, tentando deixar clara a posição contrária ao aborto. Até o programa Minha Casa, Minha Vida foi associado à defesa da família pelo seu programa.

O problema é que essa estratégia defensiva não ajudou-a em nada. Enquanto Dilma foi pautada pelo tema que tem sangrado sua candidatura, Serra parecia ter ganho o primeiro turno e não perdido por 14,5 milhões de votos.

Sem precisar se defender, o tucano agradeceu votos, mostrou imagens de festa, homenageou Marina e aproveitou o mote do aborto para criticar Dilma. Exibiu mães grávidas, declarou ser contra o aborto e avisou que tem fé na vitória.

Com um programa "para cima" e tecnicamente superior ao que exibia no primeiro turno, Serra até tirou do armário aliados que tinha preferido esquecer, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco.

Para Dilma, a opção óbvia é recuperar sua agenda própria. Do contrário, poderá trocar seu favoritismo inicial por uma via crúcis política dolorosa.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE . PAULO"

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