Paulo Amorim
Paulo Amorim

Com lula, Dilma nega recuo contra miséria

Presidente destaca que erradicar pobreza continua sendo a meta do governo, mas País nem sabe ao certo o número de miseráveis

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / COIMBRA

A presidente Dilma Rousseff tentou explicar ontem a declaração feita na véspera, durante evento em Belo Horizonte, de que o seu mandato pode não ser suficiente para erradicar a miséria no País. Durante entrevista em Portugal, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será homenageado, ela assegurou que "não houve recuo" na promessa de campanha.

"Nós vamos fazer um grande esforço nos meus quatro anos de governo para fazer a eliminação da pobreza, mas chega a um ponto que é o como o caso do programa Luz para Todos, que conseguimos atender os 12 milhões que não tinham luz elétrica, que supúnhamos que era a população brasileira que vivia no escuro, e descobrimos que existiam mais 1,5 milhão", disse ela.

Ainda de acordo com Dilma, há uma tendência de se aproximar da erradicação da pobreza, uma aposta de que "vai se aproximar do foco". Ela não quis cravar se País tem 14 milhões, 19 milhões ou 21 milhões de miseráveis. Estes números, afirmou, só poderão ser conhecidos quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) liberar dados específicos.

As declarações foram dadas no primeiro dia da visita a Portugal, após viver um dia de tietagem na universidade de Coimbra, no melhor estilo do seu antecessor. Dilma foi assediada não só pelos estudantes portugueses, mas também pelos brasileiros. Os portugueses chegaram a jogar as suas togas, para Dilma pisar ao entrar na escola, em reverência à chefe de governo. Hoje, ela retorna à universidade para a concessão do título de doutor honoris causa a Luiz Inácio Lula da Silva.

No hotel Quinta das Lágrimas, onde Dilma e Lula estão hospedados, os dois fizeram questão de mostrar a "excelente" relação dos dois. Lula afirmou que "não tem ponteiro pra acertar" com ela e destacou que a polêmica por não ter ido ao almoço com o presidente Barack Obama foi criada pela imprensa. "O mal-estar é de vocês", completou Dilma, falando aos jornalistas. Destacou que tem se encontrado com Lula a cada 15 dias.

"Vocês podem tentar tudo, mas é impossível separar a minha trajetória do presidente Lula. Isso não significa que eu e ele sejamos a mesma pessoa. Não somos", prosseguiu. "Ele é um estadista e construiu castelos com as pedras do caminho e uma pessoa que fez isso é doutor na construção e mudanças no país", completou. O ex-presidente fez questão de abraçá-la e beijá-la: "Vê se a gente está com cara de estar brigados aqui?"

Na sua passagem por Portugal, Dilma também aproveitou para falar das dificuldades do governo brasileiro em socorrer Portugal, que passa por uma grave crise econômica.

Dilma avisou que a compra de títulos da divida de Portugal pelo Brasil tem de cumprir rígidas regras estabelecidas pelo Banco Central e que fará "tudo o que for possível para ajudar Portugal, mas dentro da legislação".

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