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Com maior audiência da TV no ano, final de ‘Avenida Brasil’ para a cidade

Cristina Padiglione e Juliana Deodoro - O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2012 | 23h 38

Três em cada quatro televisores ligados em SP estavam sintonizados na novela; bares com telões ficaram lotados e ruas se esvaziaram

SÃO PAULO - Nada de comícios, baladas ou eventos. Na noite desta sexta-feira, São Paulo - assim como o País - parou para ver o último capítulo Avenida Brasil. A novela elevou o Ibope da Rede Globo a 51 pontos de média na Grande São Paulo. Foi a maior audiência do ano na TV brasileira - 3 em cada 4 televisores ligados acompanhavam o último capítulo. Como comparação, a final da Libertadores, entre Corinthians e Boca Juniors, somou 47 pontos.

A novela já havia batido a noite do título histórico do Corinthians duas vezes nas duas últimas semanas, com 49 pontos de média. A primeira foi no dia 8 passado, quando Carminha foi expulsa da mansão de Tufão. No horário, 73% dos televisores ligados na cidade, onde cada ponto equivale a 60 mil domicílios, estavam sintonizados na novela. Os 49 pontos voltaram a ser registrados no dia 15, quando Nilo teve overdose.

Na noite desta sexta, a Paulista, que nos últimos oito meses perdeu seu posto de avenida mais famosa do Brasil, tinha poucas pessoas circulando. A Rua Augusta, sempre lotada às sextas, estava sem trânsito. Pequenas aglomerações eram vistas só em bares com televisão.

Para não perder os clientes, bares e baladas tiveram de se adaptar. Muitos organizaram bolões e sorteios. Foi o caso do Exquisito!, que fica na Rua Bela Cintra e sorteou jantar e "Kit Vingança" entre os clientes que acertaram quem matou Max. Composto por um livro que lista formas de vingança, boneco de vodu e torta de limão, o kit foi, segundo a sócia do bar Andréa Nathan, uma forma de brincar. "Não esperamos que ninguém use o boneco de verdade, mas foi a forma que achamos para animar a noite."

A analista Carla Maia, de 21 anos, chegou ao bar às 18h30 para garantir uma mesa com boa visão do telão para ela e 12 amigos. "Tô muito nervosa. Nesta semana, nem assisti às aulas da faculdade. De quarta pra cá, congelei a foto de pelo menos 50 pessoas", disse, referindo-se a uma das febres da novela - aplicar o efeito da última cena de cada capítulo em fotos de perfis nas redes sociais.

Festa tradicional entre os moderninhos, a Javali também entrou no clima do "oi oi oi". A balada de toda última sexta-feira do mês na Liberdade, região central, foi adiantada em uma semana para exibir a novela. "O clima é de final de Copa do Mundo, uma coisa maluca", conta Emmanuel Vilar, o idealizador da festa.

Já na Avenida Brasil paulistana, três malabaristas - dois argentinos e uma costa-riquenha - trabalhavam sem entender o que se passava. "Tudo isso é por uma telenovela? É por isso então que tem menos carros na avenida. A sorte é que amanhã acaba e vamos voltar a ganhar dinheiro", disse Tato Roque.

Balanço final. No saldo final de audiência, Avenida Brasil empatou com Fina Estampa, sua antecessora, com 39 pontos de média do primeiro ao último capítulo. Fina Estampa teve audiência mais equilibrada do início ao fim, enquanto Avenida só decolou para além dos 40 pontos depois do capítulo 100, quando Nina conseguiu fotografar Carminha e Max. Em compensação, o recorde de Fina Estampa foi de 47 pontos.