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Brasil

Dia da Mulher

‘Com mulher trans, a violência é mais agressiva'

Ivy Granelli, de 22 anos, teve apoio dos pais, mas se queixa do duplo preconceito na rua por ser mulher trans

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Isabela Palhares e Juliana Diógenes,
O Estado de S. Paulo

07 Março 2016 | 21h05

"Desde criança, sempre fui diferente. Aos olhos das outras pessoas, claro. Primeiro, me assumi para a minha mãe e para a minha família como homossexual. Porque eu ainda não fazia ideia, não conhecia essa questão de gênero. Minha mãe sempre me apoiou em tudo. Depois de uns três anos, comecei a me vestir mais… feminina, de fato.

 

Sempre fui muito feminino enquanto homem. Até então, achava que era um lance mais de estilo. Mas aí comecei a me vestir de mulher quanto tinha 18 anos, com vestimentas mais femininas. Reparei que já não era mais um homem. Continuava usando meu nome de batismo, só que eu já era uma mulher.

 

Quando comecei a me vestir de mulher, foi uma realização para mim. Foi quando realmente me achei. Eu sempre me via como mulher desde criança. Não queria saber dos meus brinquedos. Queria saber dos brinquedos da minha irmã. Eu puxava minhas roupas mais para baixo para dizer que era vestido. Puxava a meia para dizer que estava de bota. Depois que cresci, comecei a procurar mais informações e vi que ser trans era realmente possível.

 

A trans é vista como um objeto, na maioria das vezes. Ainda tem esse preconceito e essa vulgarização da mulher trans. É muito do homem olhar para a gente como se fosse um pedaço de carne e estivesse disponível para fazer o que ele quiser naquele momento.

 

A gente ouve muita piadinha de mau gosto e eu acho que seja mais do que mulher. Mulher sofre muito com isso na rua, mas com a mulher trans é mais agressivo por associarem a mulher trans com vulgaridade, com prostituição. É muito forte. Se o homem dá uma cantada e as pessoas veem, elas me julgam como se eu estivesse procurando aquilo. Temos que nos envergonhar como se a culpa fosse nossa.

O gênero é uma coisa que a gente tem dentro da nossa cabeça. A gente se vê no espelho, mas a gente não é daquele jeito. Quando a gente começa a fazer tratamento hormonal, é a realização de um sonho. Porque o que você é por dentro começa a sair. A terapia hormonal - não que seja uma regra -, mas para mim é a principal atitude porque é o que possibilita ser o que você é por dentro."

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