Com voto de 92 colegas, inclusive do PT, tucano continua no cargo

Em seu discurso, Munhoz afirmou que os petistas, que terão cargo na Mesa, mantiveram princípios da ''presunção de inocência''

Roberto Almeida e Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

16 Março 2011 | 00h00

Mesmo pressionado por acusações de improbidade administrativa referentes ao período em que era prefeito de Itapira (SP), o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) foi reeleito ontem presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo com apoio de 92 dos 94 deputados, incluindo os de oposição. Todos os 24 parlamentares petistas apoiaram o tucano após acordo entre a bancada do PT e o PSDB que garantiu a partilha de cargos na Mesa Diretora do Legislativo paulista.

Os deputados Major Olímpio (PDT) e Carlos Giannazi (PSOL) votaram em suas próprias candidaturas.

Após vencer o pleito, Barros Munhoz disse que o PT "soube fazer valer o princípio da presunção de inocência" e agradeceu ao partido por agir de "forma combativa e leal".

Como resultado do acordo com a base governista, o deputado estadual Rui Falcão (PT) foi eleito primeiro-secretário, cargo com poderes sobre a área de recursos humanos e finanças da Casa, e Telma de Souza (PT) ficou como quarta secretaria. O PSDB terá ainda a primeira vice-presidência, com Celso Giglio, e o DEM terá a segunda secretaria com Aldo Demarchi.

Antes da posse e da eleição da Mesa, na tarde de ontem, a bancada do PT enviou nota à imprensa para justificar a adesão à candidatura de Munhoz. Segundo os petistas, os votos dados ao tucano remetem a um acordo firmado em fevereiro que visam a "melhorias dos mecanismos de controle da Casa e a democratização da Assembleia".

Em documento de quatro páginas, o PT pede desde a unificação da data da posse estadual com a das demais Assembleias do País, pois somente São Paulo a realiza dia 15 de março, até o acesso irrestrito a sistemas do governo estadual para acompanhar o Orçamento.

Segundo o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, Munhoz manteve contato com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alckmin tem defendido publicamente "cautela" nas investigações e ressaltado a biografia do parlamentar.

Munhoz é acusado, em ação civil pública que corre sob sigilo, de desvio de R$ 3,1 milhões de verbas da prefeitura de Itapira, conforme revelou na semana passada o jornal Folha de S. Paulo. Munhoz disse ontem, antes da posse dos novos deputados estaduais, que se trata de uma "denúncia política". "Nunca tive um ato irregular. Essa denúncia, de um promotor, é uma denúncia política", afirmou.

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