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Comandante diz que conduta de PMs do Pavão-Pavãozinho será investigada

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

23 Abril 2014 | 14h 27

Para o coronel Frederico Caldas, 'a dinâmica da morte ainda não está clara' e será esclarecida a partir da conclusão da necropsia, da perícia de local e dos depoimentos dos agentes

RIO - O comandante geral das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Frederico Caldas, afirmou ao canal GloboNews que abriu um inquérito próprio para investigar as condutas dos policiais da UPP do Pavão-Pavãozinho no caso da morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, conhecido como DG. Para ele, "a dinâmica da morte ainda não está clara" e será esclarecida a partir da conclusão da necropsia, da perícia de local e dos depoimentos dos agentes.

De acordo com o comandante, na noite de segunda-feira, 21, policiais receberam denúncia de que havia marginais na localidade conhecida como Quinta Estação, no alto do Morro do Pavão-Pavãozinho, zona sul do Rio. A cerca de 50 metros do local indicado havia uma barricada e, quando os policiais se aproximaram, houve troca de tiros. "Não houve perseguição ou abordagem, mas uma troca de tiros muito intensa", afirmou Caldas.

Na tarde de terça-feira, 22, quando faziam a perícia no local do tiroteio, os policias encontraram o corpo de Pereira. Três dos dez policiais que participaram da ação já prestaram depoimento na 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema), no entanto ainda não está claro se eles foram avisados que o corpo de Pereira estava na creche ou se os agentes avistaram o dançarino caído no chão.

Segundo Caldas, os policiais aguardaram a chegada da diretora da creche para entrar no espaço. O corpo de DG foi retirado do local por volta das 17h de terça, "quando começaram as manifestações violentas e os policiais foram hostilizados". As armas usadas pelos PMs nas duas ações (no tiroteio e na perícia) já foram recolhidas e serão periciadas.

Investigação. "É preciso que haja necropsia e provas técnicas que serão obtidas pela Polícia Civil após a perícia de local para identificar tudo o que aconteceu. As acusações precisam ser apuradas (pela Polícia Civil) e nós (da Polícia Militar) vamos apurar também". Os laudos ficarão prontos em 30 dias. Os depoimentos dos policiais e de testemunhas também ajudarão a esclarecer os fatos.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a morte do dançarino foi provocada por "hemorragia interna decorrente de laceração pulmonar decorrente de ferimento transfixante do tórax. Ação pérfuro-contundente". Ele teve o tórax perfurado por um objeto que entrou e saiu do corpo após passar pelo pulmão.

Para o comandante, a UPP do Pavão-Pavãozinho representa "um desafio muito grande e um risco elevado" por causa da venda de drogas e da localização (na zona sul). O policiamento na região foi reforçado durante a madrugada de terça e será mantido por tempo indeterminado.