Michael Nagle/Reuters
Michael Nagle/Reuters

Combinar diferentes meios destaca o papel do pedestre

Uso de aplicativos e bicicletas impulsionam o surgimento de espaços voltados às pessoas em vez de automóveis

Mariana Barros - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2017 | 05h00

A ideia de que todos somos pedestres em algum momento do dia não é nova, mas nunca esteve tão atual. A facilidade de percorrer diferentes trechos de diferentes formas jogou luz sobre a principal figura dos deslocamentos urbanos, as pessoas.

Segundo o secretário municipal de Mobilidade Sergio Avelleda, 45% dos paulistanos caminha em algum trecho de seu trajeto diário.

Além de estarem crescendo em quantidade, impulsionados pelo uso dos aplicativos de transporte e de bicicletas e pela piora dos congestionamentos, eles também vêm crescendo em importância.

Nos últimos anos, surgiu o conceito de cidades “caminháveis”, para designar as cidades desenhadas para serem agradáveis para quem caminha, e não para quem dirige um veículo. 

É o que explica a recém-lançada coletânea Cidades de Pedestres (editora Babilônia), organizada por Victor Andrade, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e Clarissa Cunha Linke, diretora-executiva do ITDP-Brasil (na sigla em inglês, Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), sobre a situação do pedestre no Brasil e no mundo. 

A ideia de que as cidades precisam seguir a escala humana em vez da viária ganhou força principalmente a partir de 2010, com a experiência do urbanista dinamarquês Jan Gehl. Em seu best-seller Cidades para Pessoas, ele destaca a importância de bancos para sentar, bicicletas e fachadas integradas à rua. Mais recentemente, a corrente ganhou o apoio da ex-comissária do departamento de trânsito de Nova York Janette Sadik-Khan, responsável por fechar a Broadway e outros trechos da cidade para a passagem de automóveis. Iniciativa semelhante vem sendo realizada em São Paulo com o fechamento da Avenida Paulista, entre outras, para a passagem de veículos nos finais de semana. Tanto Jehl quanto Sadik-Khan assinam artigos no livro. 

“Resolver o trânsito é como dar aspirina para baixar a febre. Combatemos o sintoma, mas não a causa, que é a urbanização descuidada que reproduziu o modelo de moradia longe do trabalho”, afirmou Avelleda no Fórum de Mobilidade do Estadão. 

Pequenas intervenções urbanas voltadas ao pedestre e inspiradas no modelo nova-iorquino foram feitas na região da Berrini, em São Paulo, em Fortaleza e em Belo Horizonte, apresentadas pelo diretor da WRI Luis Antonio Lindau. “A escala tem de ser a das pessoas”, disse.

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