Comemoração de Dia do Rock acaba em briga no Rio

Tumulto, brigas e muito corre-corre marcaram o show realizado na Praça da Apoteose, no Rio, em comemoração ao Dia Mundial do Rock. Quatro pessoas ficaram feridas, sem gravidade, durante a confusão que teve início no meio da tarde, quando menores de idade foram barrados nos portões de acesso à Praça, devido a uma medida do juiz Siro Darlan, da 1ª Vara de Infância e Adolescência, que os impedia de assistir ao show. Pouco depois, o juiz voltou a atrás e permitiu o ingresso dos adolescentes. Muitos gritavam palavras de ordem contra Darlan e receberam o apoio dos pais, que os acompanhavam. Alguns se envolveram em conflito com policiais militares. No total, dez rapazes haviam sido detidos até o início da noite. Eles foram conduzidos até a 6ª Delegacia de Polícia, na Praça Onze. Vão responder por agressão, porte de droga e desacato à autoridade. O detetive de plantão, que preferiu não se identificar, disse que, não havia menores entre o grupo detido. Os feridos apresentavam escoriações e cortes provocados por vidro. Foram atendidos no Hospital Souza Aguiar, no centro. Os portões foram abertos às 14h30. Mas quem não conseguia entrar, tentou pular as grades do local do festival de rock, mais conhecido como sambódromo. Rapidamente, os seguranças fecharam os portões e a PM entrou em ação para conter a rebeldia dos adolescentes e organizar uma fila. Durante 45 minutos, houve grande aglomeração diante dos portões, ainda fechados. Enquanto eram contidos pelos policiais - mais de 100 foram deslocados para a Praça da Apoteose -, alguns adolescentes ironizavam Darlan com gritos ofensivos e provocavam os PMs. Foi quando ocorreu a segunda parte do tumulto e houve prisões, briga e correria. Dois dos feridos se machucaram ao serem pisoteados pela multidão. À noite, Darlan disse que o tumulto poderia ter sido evitado se "a prefeitura não tivesse promovido um show com uma banda que faz apologia às drogas". Ele referia-se ao grupo Planet Hemp (em português, Planeta Maconha). Ele também culpou a Rádio Cidade, uma das promotoras do evento pelos incidentes. "A prefeitura e a emissora pediram alvará para obter licença apenas dois dias antes do evento; por que não fizeram isso antes?" Darlan contou ainda que o Ministério Público, por meio de uma ação cívil pública, conseguiu a proibição do ingresso dos menores de 18 anos no show. E que ele só resolveu autorizar a presença desses jovens depois de informado sobre o tumulto. "Com a medida, certamente foi evitado um problema bem maior", prosseguiu. O juiz também criticou o efetivo de policiais deslocado para o show, que reuniu cerca de 40 mil pessoas. "Trinta e cinco PMs era muito pouco." O número aumentou após o início das invasões na Praça da Apoteose. "Ainda assim, tinha de ser bem mais do que foi."

Agencia Estado,

22 Julho 2001 | 20h19

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