Comércio popular adota visual chique

Lojas C e D ganham fraldário, playground e outras comodidades

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

27 Outubro 2007 | 00h00

Uma nova tendência começa a mudar o cenário nos grandes bolsões de comércio popular. Bom atendimento, serviço e conforto não são mais exclusividades "de madames". Essas qualidades já surgem em lojas que anteriormente se destacavam apenas pelos preços baixos. Agora elas oferecem manobrista, quiosque de café expresso, ar-condicionado e fraldário. Os cuidados com a decoração também aumentaram. O visual simples deu lugar ao chão de granito, ao acabamento em aço inox e aos espelhos. Grande no varejo de sapatos, a Mundial Calçados transformou o diferencial em marca registrada. Em um ano, abriu cinco unidades com cara de loja de shopping. Inaugurou a sexta no mês passado, na Rua Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, com 1,5 mil metros quadrados . O projeto é assinado por Alexandre Souza Lima, de 34 anos, engenheiro conhecido pelos trabalhos em lojas luxuosas. Foi ele quem fez as butiques que abrigam Cartier, Chocolat du Jour, Fause Haten e Carlos Miele, nos Jardins. A rede conta com 13 lojas espalhadas pela cidade. "A Mundial descobriu que o cliente liga para esses detalhes", diz Lima. "Eles querem oferecer o mesmo conforto que uma loja de shopping ", observa. "O banheiro é de granito e tem fraldário espaçoso." Outro ponto é a iluminação: esqueça as luzes brancas que deixam os consumidores com um tom esverdeado. "É especial. Usei a mesma empresa que faz os projetos das butiques da Rua Oscar Freire", conta Lima, que só este ano projetou seis lojas da rede. Ele levou em conta até pequenos detalhes. Como o piso da loja é frio, de porcelanato, no local onde as clientes experimentam os calçados, há um tapete, forrado por uma manta amortecedora - de forma que o chão fica mais fofo e quente. Mesmo quem não saiu do mundo do luxo teve de se adaptar para continuar no mercado popular de lojas. É o caso do arquiteto Luiz Fukuoka, de 51 anos, dono da Fukuka Arquitetura e Construção, há 20 anos atuando nos segmentos C e D. "Para fazer as lojas pesquiso tendências até na Casa Cor. E não é para valorizar o produto. A idéia é valorizar o cliente." Segundo ele, um dos pioneiros nesse mercado foi o Lojão do Brás. "No início, tinha lojista que ficava receoso em espantar o cliente. Mas agora eles viram que funciona ao contrário. Todo consumidor quer ser muito bem tratado." MÚSICA AMBIENTE A loja da Têxtil Abril, no Brás, zona leste, é climatizada, tem playground e música ambiente. No lugar de pagode ou de grandes sucessos de rádios da FM, a empresa optou pela música ambiente, o que confere mais tranqüilidade às compras. Em 12 mil metros quadrados, estão dispostos produtos para toda a família. Além de estacionamento para clientes, a loja ainda oferece transporte gratuito a partir das Estações Brás, Belém, Armênia e Santana. Todo esse investimento tem uma razão. "Os lojistas descobriram que a classe média também procura preço baixo, mas o design dos estabelecimentos desse padrão afastava um tipo de consumidor mais endinheirado", ressalta Lima. FRASES Alexandre Souza Lima Arquiteto "Os lojistas descobriram que a classe média também procura preço baixo, mas que o design dos estabelecimentos afastava um tipo de consumidor mais endinheirado." Luiz Fukuoka Arquiteto "Para fazer as lojas pesquiso tendências até na Casa Cor. Não é para valorizar o produto. A idéia é valorizar o cliente."

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