Condenado por morte de estudante acusa bispo e pastor da Universal

Depois de cinco anos em silêncio, o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Silvio Roberto Galiza, de 24 anos, condenado a 18 de prisão pela morte do estudante Lucas Vargas Terra, de 14 anos, resolveu "abrir o bico". Ele denunciou como autores do assassinato, ocorrido em março de 2001, o bispo Fernando Aparecido da Silva, de 28 anos, e o pastor Joel Miranda, de 40. Em depoimento espontâneo ao promotor Oscar Araújo Silva, Galiza disse que recebeu dinheiro e foi ameaçado de morte pelos integrantes da Igreja Universal para ficar calado e assumir a culpa do crime. O acusado sempre negou participação no assassinato de Lucas, mas nunca havia falado sobre supostos co-autores. Agora, contou ter visto o caixote de madeira onde o corpo do adolescente foi colocado, dentro da "sala de campanha" de um templo no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Depois, o caixote foi levado para um carro da entidade e transportado até o terreno baldio da Avenida Vasco da Gama, onde o corpo de Lucas foi achado semicarbonizado no dia 22 de março de 2001. Dinheiro pelo silêncio Ainda conforme Galiza, a Igreja Universal lhe pagava mensalmente entre R$ 1.300 a R$ 1.500 pelo seu silêncio, dinheiro depositado na conta de sua mãe. O pastor resolveu contar tudo por saber que seus oito familiares estavam sendo ameaçados por integrantes da Igreja Universal. Galiza e seus parentes foram incluídos no Programa de Proteção à Vida (que dá apoio a testemunhas) e o promotor Oscar Araújo da Silva pretende pedir a reabertura do caso. Na quinta-feira, ele tomou o depoimento do pastor Joel Miranda, que orientado por advogados da Universal, permaneceu em silêncio, e vai tentar ouvir o "bispo" Fernando Silva, transferido para o Paraná pela organização religiosa.

Agencia Estado,

03 Março 2006 | 16h05

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