Divulgação/Polícia Civil RS
Divulgação/Polícia Civil RS

Condomínios do Minha Casa dominados pelo tráfico são alvo de operação no RS

Segundo a Polícia Civil, criminosos expulsavam moradores, invadiam casas e implantavam sistema similar ao de milícias

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 09h21

Um esquema criminoso que dominava ao menos três condomínios do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em Porto Alegre é desarticulado nesta quinta-feira, 6, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Integrantes de uma facção de tráfico de drogas se apropriavam de apartamentos e casas, expulsavam moradores e ditavam regras aos que permaneciam, conforme a delegada Shana Hartz, titular da 16ª Delegacia de Polícia (Restinga) da cidade, que coordena a Operação Reintegro.

"Funciona como milícias. É um esquema organizado que impõe comércio e regras próprias, expulsa quem não joga dentro do jogo deles. Uma mulher que não quis obedecer, por exemplo, teve a cabeça raspada e acabou saindo de lá. Eles criavam um pavor, juravam muitos moradores de morte", relatou a delegada.

Em um apartamento invadido, os policiais descobriram um comércio ilegal de gás de cozinha do qual todos os moradores eram obrigados a comprar botijões. Denúncias também dão conta de que a venda de drogas acontecia de forma intensa dentro dos condomínios.

Os três conjuntos residenciais foram construídos lado a lado na Restinga, no extremo sul da capital gaúcha, e abrigam 966 unidades habitacionais. Na operação, foram cumpridos 96 mandados de busca e apreensão e um homem foi preso em flagrante por posse de munição de pistola 9 milímetros, de uso restrito militar. Ao menos outros três criminosos estão foragidos. Um balanço final da operação será divulgado ao longo desta quinta.

Os verdadeiros beneficiários do programa habitacional do governo devem ser recadastrados e a polícia garante que vai monitorar os locais para garantir o afastamento dos criminosos. A operação deve dar início a uma força-tarefa em parceria com a Defensoria Pública e Ministério Público do Estado, Prefeitura e Caixa Econômica Federal para fiscalização do Minha Casa Minha Vida.

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